Vitamina D e doenças neurológicas: quais as evidências?

Entre as crianças, o nível baixo de vitamina D está significativamente associado à probabilidade de Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e, concentrações abaixo do recomendado no período perinatal estão associadas a um maior risco de TDAH na vida adulta.

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A vitamina D tem sido amplamente discutida em áreas bastante relacionadas diretamente, como a nutrição e a endocrinologia e mais recentemente, tem ganhado espaço em outras especialidades, como a neurologia, dada a importância desse nutriente (ou hormônio, também muito discutido), atualmente.

Em uma revisão sistemática e meta-análise bastante interessante publicada pela Advances in Nutrition neste ano, os pesquisadores avaliaram a relação entre vitamina D e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O trabalho incluiu a análise de 13 estudos observacionais (sendo 9 estudos de caso-controle ou transversais e 4 estudos prospectivos).

Os resultados obtidos de estudos caso-controle ou transversais mostraram que as crianças com TDAH têm menores concentrações séricas de 25-hidroxivitamina D do que as crianças saudáveis. Os autores chamam a atenção que este resultado, embora tenha sido estatisticamente significante, clinicamente, a diferença (de 6,93 ng/mL), pode não ser de grande importância, cabendo sempre para o profissional que atua na prática clínica, fazer estas considerações.     Os resultados da meta-análise desses  5 estudos caso-controle, revelaram que um nível baixo de vitamina D está significativamente associado à probabilidade de TDAH.

Já a meta-análise dos estudos prospectivos (envolvendo 4137 participantes), mostrou que concentrações sub-ótimas no período perinatal estão associadas a um maior risco de TDAH na vida tardia, mas claro que esses resultados devem ser entendidos com cautela e sem relação de causa-efeito.

Muitos estudos de revisão já mencionaram a deficiência de vitamina D como um fator de risco para doenças do sistema nervoso central, no entanto, aqueles especificamente o TDAH ainda são escassos. Nesse sentido, este trabalho traz resultados importantes e de grande peso científico dada a análise realizada, abrindo portanto, novos caminhos e discussões tanto na área da nutrição, quanto na neurociência.

 

Referências bibliográficas:

Khoshbakht, Y.; Bidaki, R.; Salehi-Abargouei. Vitamin D Status and Attention Deficit Hyperactivity Disorder: A Systematic Review and Meta-Analysis of Observational Studies. Adv Nutr 2018;9:9–20.

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