Saúde óssea: relação com alimentos funcionais e compostos bioativos.

As isoflavonas da soja e o colágeno estão entre os alimentos funcionais cuja ação benéfica incluem o tratamento para perda de densidade óssea em mulheres, a regeneração do tecido ósseo e a redução de dor nas articulações.

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Uma das principais preocupações relacionadas com o processo de envelhecimento é a saúde óssea. Isso porque, é natural e fisiológico que ao longo do tempo, nossos ossos se tornem mais suscetíveis a doenças como a osteoporose e a osteoartrite.

Mas, algumas medidas podem ser tomadas ao longo da vida, principalmente com a adoção de hábitos de vida saudáveis. Isso porque, fatores de risco importantes para as doenças ósseas, são considerados modificáveis, tais como a alimentação e a atividade física.

Em relação a alimentação, sabe-se que ter uma ingestão adequada de alimentos fontes de cálcio, como os leites e derivados em geral e os vegetais verde-escuros principalmente, juntamente com alimentos fontes de vitamina D (como a sardinha, atum, salmão, cogumelos) e uma exposição solar adequada para ativar a vitamina D presente no organismo, são fundamentais.

Mas, em algumas situações específicas, como no caso de populações de risco, mediante avaliação e indicação por um profissional de saúde, é necessário a complementação da ingestão de nutrientes, através da utilização de suplementos, ou alimentos com alegação funcional e compostos bioativos.

E quais seriam esses alimentos funcionais e compostos bioativos que podem contribuir para a saúde óssea?

Entre os principais com comprovação científica, estão os prebióticos, como os frutanos (inulina e frutooligossacarídeos – FOS), a soja (isoflavonas), o ômega 3 e o colágeno.

Em um trabalho de revisão, pesquisadores dinamarqueses, destacaram e resumiram os principais e mais recentes dados a respeito da ação das isoflavonas e os efeitos benéficos contra a perda óssea em mulheres com deficiência de estrogênio. Segundo os pesquisadores, a partir dos dados clínicos das intervenções com isoflavonas, as agliconas (abundantes em produtos fermentados) exercem efeitos benéficos maiores contra a perda óssea em mulheres com deficiência de estrogênio, em comparação com os glicosídeos da isoflavona. Os pesquisadores concluem, portanto, que as isoflavonas são promissoras como uso profilático de primeira linha / tratamento para perda óssea em mulheres.

Em um outro artigo também de revisão bibliográfica, os pesquisadores avaliaram os efeitos benéficos da ingestão de colágeno hidrolisado (CH) na saúde das articulações, dos ossos e da pele em 60 estudos científicos (in vitro, in vivo, clínicos e sobre biodisponibilidade). Segundo os autores, os estudos pré-clínicos mostraram que o CH estimula a regeneração do tecido por aumentar não apenas a síntese de colágeno, mas também a síntese de componentes menores (glicosaminoglicanos e ácido hialurônico). Já os estudos clínicos mostraram que a ingestão contínua de CH ajuda a reduzir e prevenir a dor nas articulações, a perda de densidade óssea e o envelhecimento da pele. Para os autores, portanto, a ingestão de colágeno hidrolisado pode ser uma alternativa de uso a longo prazo em doenças ósseas e articulares degenerativas e no combate ao envelhecimento da pele.

No entanto, ainda existem muitos questionamentos a serem estudados em relação a esses alimentos funcionais e compostos bioativos, principalmente relacionados a dose e período de uso, que ainda permanecem sem um consenso exato. Mas, de toda forma, temos um grande avanço nas pesquisas relacionadas a estes alimentos e, indubitavelmente, é um campo com um crescimento promissor na nutrição.

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Referências bibliográficas:

Lambert, M. N. T.; Jeppesen, P. B. Isoflavones and bone health in perimenopausal and postmenopausal women. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2018 Nov;21(6):475-480.

Figueres, J. T.; Basés Perez, E. An overview of the beneficial effects of hydrolysed collagen intake on joint and bone health and on skin ageing. Nutr Hosp. 2015 Jul 18;32 Suppl 1:62-6.

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