Saúde ocular: quais os nutrientes importantes para garantir uma boa visão?

Nutrientes com papel antioxidante possuem ação benéfica na modulação intestinal e na prevenção de doença ocular.

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Hoje é comemorado o dia da saúde ocular e é fundamental pensarmos como a nutrição pode contribuir para a saúde dos olhos.

Já sabemos de longa data que uma nutrição favorece a prevenção de inúmeras doenças. Mas, quando direcionamos nossos questionamentos para a saúde dos olhos, alguns nutrientes específicos merecem destaque.

Você sabe quais são?

Estudos epidemiológicos têm associado a deficiência de vitamina D a doenças oculares, como a miopia, degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética, glaucoma, retinoblastoma e uveíte. Isso porque, as propriedades anti-angiogênicas, antiinflamatórias e antineoplásicas do calcitriol, recentemente descobertas, tem sido apontadas como os mecanismos relacionados a patogênese das doenças oculares.

A vitamina D, parece agir como um fator de proteção no olho, através de receptores, mediante sua produção endógena e ativação por meio da exposição solar. Mas também, podemos sempre incluir boas fontes de vitamina D na alimentação também, como os cogumelos, o salmão, o atum e a sardinha.

Falando especificamente de uma das doenças mais comuns relacionadas a visão, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que é uma doença multifatorial complexa e constitui-se como a principal causa de cegueira irreversível em indivíduos com mais de 65 anos em países desenvolvidos. Para entendermos sua importância, ela afeta de 30 a 50 milhões de indivíduos no mundo todo, com um aumento estimado de aproximadamente 200 milhões até 2020 e aproximadamente 300 milhões até 2040.

Em um estudo de revisão publicado pela revista Nutrients, os pesquisadores investigaram o impacto de hábitos alimentares (dietas com alto teor de gordura e glicose ou frutose), micronutrientes (vitaminas C, E e D, zinco, beta-caroteno , luteína e zeaxantina) e ácidos graxos ômega-3 na modulação da microbiota intestinal e sua relação com o risco e progressão da DMRI.

Os resultados encontrados variaram de acordo com o desenho dos estudos avaliados. Os estudos observacionais mostraram o papel potencial da suplementação com micronutrientes na redução do risco de progressão dos estágios iniciais da DMRI.

A suplementação de carotenóides mostrou-se eficaz na prevenção e redução do risco de DMRI e outras doenças oculares. Isso porque, os carotenóides são potentes antioxidantes capazes de reduzir o estresse oxidativo sistêmico que influencia a mácula (parte da retina). Alfa-caroteno, β-caroteno e licopeno tem potencial de proteção destes tecidos contra danos oxidativos induzidos pela luz e por radicais livres produzidos localmente.

Os papéis da luteína e da zeaxantina foram investigados em estudos de coorte, estudos de caso-controle e ensaios clínicos. As evidências encontradas sugerem uma associação significativa entre a ingestão de luteína / zeaxantina e redução de risco para DMRI avançada.

Já o estudo com modelo animal apontou que dietas hiperlipídicas e com uma quantidade elevada de glicose estava relacionado ao desenvolvimento da DMRI através de um desarranjo da microbiota intestinal que leva à inflamação sistêmica de baixo grau.

Já ligação entre a DMRI e o consumo de vitamina C e vitamina E (alfa-tocoferol) é controversa, segundo os pesquisadores, com alguns estudos mostrando uma relação significativa e outros estudos indicando não haver relação.

No que se refere ao consumo de ômega 3, estudos epidemiológicos, clínicos e experimentais mostraram que o ômega-3 dietético (EPA e DHA) estão associados com uma incidência reduzida de DMRI e têm um papel protetor na progressão da doença.

De forma geral, os pesquisadores apontam que as evidências recentes indicam uma interação estrita entre a microbiota intestinal e a retina, que é chamada de “eixo intestino-retina”.

Mas, ainda é necessária uma melhor compreensão dos mecanismos subjacentes a essa conexão para ajudar os profissionais a sugerirem novos modelos de tratamento personalizado da DMRI com base na promoção de hábitos nutricionais saudáveis ​​e na ingestão adequada de micronutrientes.

De toda forma, embora ainda permanecem lacunas a serem investigadas em relação aos mecanismos de ação, o caminho é apontado: a ingestão de alimentos com nutrientes antioxidantes e compostos bioativos parece ser benéfica para a saúde dos olhos.

E se você quer saber mais sobre esse tema, não deixe de conferir o capítulo do nosso livro “Alimentos funcionais e compostos bioativos” que fala especificamente sobre a saúde ocular. Está imperdível. Boa leitura.

 

 

Referências bibliográficas:

Rinninella, E.; et al. The Role of Diet, Micronutrients and the Gut Microbiota in Age-Related Macular Degeneration: New Perspectives from the Gut–Retina Axis. Nutrients 2018, 10, 1677; doi:10.3390/nu10111677.

Skowron, K.; Pawlicka, I.; Gil, K. The role of vitamin D in the pathogenesis of ocular diseases. Folia Med Cracov. 2018;58(2):103-118.

Lottenberg, C. L.; Carneiro, A. B. M. Saúde Ocular. In: Pimentel, C. V. de M. B.; Elias, M. F.; Philippi, S. T. Alimentos funcionais e compostos bioativos.1ª. ed. Barueri (SP): Manole, 2019.

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