Psiquiatria nutricional: quando a alimentação pode melhorar a sua saúde mental

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psiquiatria nutricional

Se alguém perguntasse a você como anda sua saúde mental, o que você responderia? No mundo caótico em que estamos vivendo, dificilmente a resposta seria simples ou mesmo 100% positiva, não é mesmo?! Alterações de humor, ansiedade, depressão e outras condições neuropsiquiátricas estão cada vez mais presentes na vida das pessoas e, por isso, é essencial voltar nossos olhos para isso.

E se disséssemos que a sua alimentação pode influenciar nesses transtornos, você cogitaria mudá-la? Evidências recentes indicam uma forte associação entre uma dieta pobre em micronutrientes e os distúrbios que afetam o bem-estar psicológico.

Para entender melhor essa relação, é importante também entendermos a diferença na forma como agem os alimentos e os medicamentos: enquanto os remédios normalmente buscam um alvo específico no organismo, atingindo normalmente um único órgão, os nutrientes atingem diferentes órgãos. Ou seja, da mesma forma que uma dieta balanceada fortalece o organismo como um todo, uma pobre pode prejudicá-lo, inclusive mentalmente.

De fato, pesquisas recentes têm verificado como o período entre o primeiro dia de gestação até o segundo ano do bebê (os chamados 1000 dias) influencia no risco de transtornos psiquiátricos na vida adulta, sendo a alimentação, como podemos imaginar, um dos fatores cruciais.

Até pouco tempo atrás, as pesquisas na área de psiquiatria nutricional se dedicavam a estudar nutrientes isolados e seus efeitos sobre a saúde mental. Contudo, mais recentemente, passou-se a estudar também o padrão de alimentação do indivíduo, uma vez que os nutrientes podem atuar juntos para exercerem funções específicas.

Nesse quesito, um dos eixos mais relevantes é o intestino-cérebro, muito por causa da microbiota intestinal, que sido apontada como um ponto-chave nas respostas ao estresse e aos transtornos afetivos como ansiedade e depressão. Isso porque ela atua na regulação do metabolismo da desejada serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar.

Mas então qual seria o padrão de dieta que pode melhorar a microbiota intestinal e atuar de forma conjunta na melhora da saúde mental? O segredo (que todo mundo já conhece) está na simplicidade e equilíbrio: ingerir frutas, verduras, legumes e gorduras de boa qualidade tem sido associado à redução do risco de declínio cognitivo.

Um bom exemplo é a dieta do mediterrâneo, rica em azeite e oleaginosas, além de vegetais e alimentação plant based.

Em contrapartida, as dietas ricas em produtos de origem animal e baixo consumo de vegetais aumentam o risco de doenças cardiometabólica, de declínio da cognição e afetam a saúde mental.

A psiquiatria nutricional ainda está engatinhando e há muito mais perguntas do que respostas até o momento. Contudo, há cada vez mais evidências de que os padrões alimentares estão diretamente ligados ao bem-estar psicológico e cognitivo. Portanto, mais um motivo para comer bem!

Referência bibliográfica:

ADAN, R. A. H., VAN DER BEEK, E. M., BUITELAAR, J. K., CRYAN, J. F., HEBEBRAND, J., HIGGS, S., DICKSON, S. L. Nutritional psychiatry: Towards improving mental health by what you eat. European Neuropsychopharmacology, 2019. 

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