Peptídeos bioativos do leite e whey protein

O whey protein diminuiu significativamente a pressão arterial sistólica e mehorou a função endotelial em adultos pré e hipertensos, com sobrepeso ou obesos.

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Já discutimos em outros momentos aqui no portal o papel do leite e sua relação com a saúde humana. Hoje, vamos falar especificamente de um dos compostos bioativos presente no leite e derivados, os peptídeos bioativos.

De forma geral, os compostos bioativos lácteos possuem ação benéfica à saúde, por serem classificados como agentes anti-hipertensivos, antioxidantes, imunomoduladores, antiinflamatórios, antimicrobianos, opioides, antitrombóticos, dependendo das suas funções biológicas.

Os peptídeos bioativos do leite e derivados são um dos compostos alvo presentes em diferentes produtos lácteos e ocorrem naturalmente, produzidos in vitro por hidrólise enzimática e formados in vivo durante a digestão gastrointestinal de proteínas.

Em virtude disso, produtos lácteos fermentados, como iogurte e queijo, estão ganhando cada vez mais destaque em todo o mundo e são considerados uma excelente fonte de peptídeos bioativos do leite. Além disso, produtos lácteos fermentados e não-fermentados estão associados a menores riscos de hipertensão, coagulopatia e acidente vascular cerebral.

O leite in natura apresenta importantes peptídeos bioativos, como a lactoferrina e os imunopeptídeos, que apresentam função imunomoduladora. Já o soro do leite (whey protein), apresenta diferentes peptídeos bioativos, como por exemplo, a serorfina que possui função opioide e a albutensina A, que atua na contração de músculos lisos e desempenha atividade anti-hipertensiva, ambos derivados da albumina entre outros peptídeos bioativos que também tem importante ação na saúde.

E por isso, é crescente também o número de estudos que evidenciam os efeitos benéficos do consumo de whey protein na saúde humana e não apenas para o ganho de massa muscular.

Um recente estudo publicado pela Food Science and Nutrition, em abril deste ano, avaliou o efeito das proteínas do soro do leite sobre a pressão arterial em pré e hipertensos adultos. Trata-se de um estudo de intervenção, controlado, randomizado, que envolveu 65 participantes aleatoriamente designados para consumir 30 g de proteína de soro de leite ou maltodextrina diariamente durante 12 semanas (54 participantes completaram o estudo).

Os resultados apontaram que nos participantes com sobrepeso e obesidade, a pressão arterial sistólica foi significativamente menor no grupo da proteína do soro do que no grupo controle. Além disso, a gordura corporal, o percentual de gordura, e a circunferência da cintura diminuiu significativamente no grupo que consumiu whey protein. Portanto, para os autores, o whey protein diminuiu significativamente a pressão arterial sistólica em adultos pré e hipertensos, que estavam acima do peso e obesos e a proteína do soro também foi responsável pela melhora da função endotelial.

Portanto, pode-se pensar que os benefícios do consumo de leite e derivados vão além dos benefícios relativos à saúde óssea que já discutimos anteriormente.

Mas é importante sempre lembrar que um único alimento por si só não deve ser considerado na alimentação, mas sim, o conjunto dos alimentos em uma dieta equilibrada, priorizando também, o consumo de alimentos funcionais, de acordo com o objetivo e a individualidade de cada pessoa, orientada sempre, por um profissional.

 

 

Referências bibliográficas:

Rogero, M. M. Rogero, Bonvini, A.; Coqueiro, A. Y. Leite, queijos e iogurtes e seus compostos bioativos. In: Pimentel, C. V. de M. B.; Elias, M. F.; Philippi, S. T. Alimentos funcionais e compostos bioativos. Manole, 2019.

Yang, J., Wang, H., Tong, X., Li, Z., Xu, J., Zhou, L., … Qin, L. (2019). Effect of whey protein on blood pressure in pre‐ and mildly hypertensive adults: A randomized controlled study. Food Science & Nutrition, 7(5), 1857–1864. doi:10.1002/fsn3.1040

Sultan, S., Huma, N., Butt, M. S., Aleem, M., & Abbas, M. (2017). Therapeutic potential of dairy bioactive peptides: A contemporary perspective. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, 58(1), 105–115. doi:10.1080/10408398.2015.1136590.

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