Ômega 6 e ômega 3: qual a relação ideal?

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Relação de consumo ômega 6 e ômega 3: quantidades recomendas e implicações na saúde.

No artigo anterior, discutimos as características principais dos ácidos graxos e dos óleos e a importância do consumo de ômegas 3 e 6. Hoje, vamos dar continuidade a esse tema, discutindo aspectos importâncias sobre a relação ideal do consumo de ômega 6 e 3.

Os ácidos graxos desempenham importante papel na estrutura das membranas das células e nos processos metabólicos. Especificamente, os ômegas 6 e 3, são necessários para manter sob condições normais, as membranas celulares, as funções cerebrais e a transmissão de impulsos nervosos.

Apesar de sua importante função, eles não são completamente iguais. Existem particularidades importantes que torna a recomendação do consumo ir além da ingestão ideal de cada um: é preciso considerar a relação que se consome dos dois!

Mas, por quê?

Os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 são metabolicamente e funcionalmente diferentes e a relação entre a ingestão de ambos é considerada fundamental para a perfeita saúde e bom desenvolvimento do organismo.

Esses ácidos graxos competem pelas mesmas enzimas envolvidas nas reações de dessaturação e alongamento da cadeia, influenciando no produto final dos ácidos graxos. No entanto, embora essas enzimas tenham uma maior afinidade pelos ácidos graxos ômega 3, a conversão do ácido alfa linolênico (da família ômega 3), em ácidos graxos poli insaturados (ácido eicosapentaenoico, EPA e docosahexaenoico, DHA) é fortemente influenciada pelos níveis de ácido linoleico (da família ômega 6) na dieta. Assim, uma maior ingestão de ácidos graxos ômega 6, compromete os mecanismos metabólicos do ômega 3, diminuindo seu papel biológico.

Portanto, a razão entre a ingestão diária de alimentos fontes desses ácidos graxos assume um papel de destaque na nutrição humana, resultando em várias recomendações que têm sido estabelecidas por autores e órgãos de saúde, em diferentes países.

Valores recomendados para a razão entre os ácidos graxos

ômega-6 e ômega-3 na dieta.

País ou Instituição Relação Ômega-6/ômega-3
Canadá 4:1 – 10:1
EUA 2:1 – 3:1
EUA 4:1
França 5:1
Japão 2:1 – 4:1
Suécia 5:1
WHO/FAO 5:1 – 10:1

Fonte: Martin et. al. (2006).

Apesar dessas recomendações, existem evidências científicas de que em alguns países, essa relação está muito acima do recomendado, da ordem de 20:1 e até mesmo, 30:1. E isso pode ser explicado, em partes, pela diminuição do consumo de alimentos fontes de ômega-3, já que relação do consumo de ômega-6/ ômega-3 na dieta das pessoas que viveram no período que antecedeu a industrialização, estava em torno de 1:1 a 2:1, devido ao consumo abundante de vegetais e alimentos de origem marinha, contendo ácidos graxos ômega-3.

Além disso, a relação ômega-6/3 dentro dos parâmetros estipulados ou menores têm sido associadas a diminuição nas taxas de mortalidade em pacientes com doença cardiovascular, redução nas inflamações decorrentes da artrite reumatoide.

Portanto, como sempre, precisamos pensar no equilíbrio da alimentação e não apenas em um único alimento.

E se você quer saber mais sobre o assunto, escreva pra gente!

 

 

Referências bibliográfica:

MARTIN, C. A.; ALMEIDA, V. V. de.; RUIZ, M. R.; VISENTAINER, J. E. L.; MATSHUSHITA, M.; SOUZA, N. E. de.; VISENTAINER, J. V. Ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 e ômega-6: importância e ocorrência em alimentos. Rev. Nutr., Campinas, 19(6):761-770, nov./dez., 2006.

PESCADOR, R. Aspectos nutricionais dos lipídios no peixe: uma revisão de literatura. Universidade de Brasília. Curso de especialização em gastronomia e segurança alimentar, Brasília, 2006.

 

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