Óleo de coco: consumir ou não?

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O consumo de gorduras e óleos ainda gera muita dúvida, no caso do óleo de coco, não é diferente, seus benefícios ainda são muito controversos, principalmente por rico em gordura saturada.

As questões em relação a ele, são diversas e também estão ligadas a um possível aumento das concentrações séricas de colesterol.

Em um estudo recente, publicado pela Circulation, uma importante revista médica, os pesquisadores conduziram uma revisão sistemática e meta-análise para avaliar o efeito do consumo de óleo de coco sobre o perfil lipídico dos pacientes.

O estudo também avaliou outros fatores de risco cardiovasculares, comparando o óleo de coco com outros óleos de cozinha.

As principais análises incluíram lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol), lipoproteína de alta densidade (HDL – colesterol), colesterol total, triglicerídeos, medidas de gordura corporal, marcadores de inflamação e glicemia.

Os resultados mostraram que o consumo de óleo de coco aumentou significativamente o LDL-colesterol em 10,47 mg/dL e HDL-colesterol em 4,00 mg/dL em comparação com óleos vegetais.

Esses resultados vão ao encontro do que a I Diretriz Brasileira de Óleos e Gorduras pontuou já em 2013.

O ácido láurico (presente no óleo de coco), eleva mais o  LDL-colesterol e o HDL-colesterol, do que os demais tipos de gorduras saturadas, especialmente ácido mirístico e palmítico.

Assim seu consumo exige cautela.

Além disso, os dados mostraram que o consumo de óleo de coco não afetou significativamente os marcadores de glicemia, inflamação e adiposidade em comparação com os óleos vegetais não tropicais.

A hipótese de que o óleo de coco pode auxiliar em processos inflamatórios, tais como a obesidade, não se sustentam.

Neste sentido é preciso repensar o consumo do óleo de coco decorrente de afirmações que não são baseadas em evidências científicas.

O consumo sem a devida orientação, pode levar a efeitos indesejados na saúde.

Para os indivíduos que não pertencem a grupos de risco relacionados a doenças cardiovasculares e que, por vezes, gostam do sabor do alimento, a regra não é proibir.

Nestes casos, o bom senso é sempre muito bem-vindo. Como qualquer outro alimento que possui efeitos adversos à saúde, a moderação e a orientação profissional são sempre o melhor caminho.

 

 

Referências bibliográficas:

Nithya Neelakantan, N.; Seah, J. Y. H.; Dam, R. M. V. The Effect of Coconut Oil Consumption on Cardiovascular Risk Factors A Systematic Review and Meta-Analysis of Clinical Trials. Circulation. 141:00–00, 2020.

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