Obesidade: para além do peso

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Um dos principais motivos que levam as pessoas aos consultórios de nutrição, sem dúvida, é a busca pela redução do peso corporal. E para entendermos isso, vamos colocar aqui alguns dados de uma das principais pesquisas que acontecem no Brasil, o Vigitel:

  • 55,7% da população brasileira está com excesso de peso;
  • 19,8% da população é considerada obesa;
  • Nos últimos 10 anos, ocorreu um aumento da obesidade em aproximadamente 67,8%;
  • Chegamos ao maior índice de obesidade nos últimos 13 anos;

Mas esses dados não devem ser analisados puramente a partir de uma análise estatística. Eles têm uma dimensão clínica muito importante! Isso porque, a obesidade é uma doença de base. Além disso, ela é um fator de risco para outras doenças, principalmente as doenças cardiovasculares.

E esse aumento expresso nos dados, em parte, se deve as mudanças ocorridas nos últimos anos. Entre tantas mudanças, podemos citar: o sedentarismo, as atividades de trabalho em que os indivíduos permanecem sentados, os hábitos alimentares, entre tantas outras. Já sabemos que a nossa vida não é mais a mesma dos nossos avós.

Mas a pergunta é: o que de fato podemos fazer para reverter esses dados? Infelizmente, essa resposta não é tão simples. Precisamos desde mudanças pontuais, que precisam começar individualmente, até medidas amplas, no contexto de saúde pública.

A obesidade é complexa e envolve diversos fatores: genéticos, ambientais, culturais e comportamentais, por isso mesmo, seu tratamento deve ser abrangente. Segundo uma publicação da revista Nutrition, de 2019, alguns aspectos relacionados a medidas para o tratamento da obesidade são pontuadas. Ressaltamos aqui, os pontos principais:

  • As diretrizes atuais para o tratamento da obesidade apoiam modificações no estilo de vida para alcançar a perda de peso, mas, as dietas com restrição calórica (aquelas que restringem o total de calorias consumido ao longo do dia) ainda são o método mais usado para o controle do excesso de peso;
  • A restrição alimentar (ou seja, de alimentos específicos ou grupos de alimentos) além de ser ineficaz na promoção da perda de peso em longo prazo, também pode ter mais custos do que benefícios, predispondo o indivíduo a recuperar o que foi perdido em relação a tecido adiposo;
  • Diversos mecanismos fisiológicos e psicológicos protegem o organismo contra a fome e explicam como a restrição alimentar pode promover o contrário do que se planeja alcançar (o emagrecimento), desencadeando alterações no metabolismo energético, na função endócrina e, portanto, na composição corporal.

Por isso, o caminho apontado pelos autores, apesar de não ser o mais simples, parece ser mais promissor. Novas abordagens que enfocam o tratamento comportamental sem restrição alimentar, como mudanças no padrão nutricional, estão apresentando um forte crescimento que surge como uma forma inovadora de criar mudanças sustentáveis e eficazes no estilo de vida, tais como a medicina do estilo de vida. Confira o e-book que temos sobre o assunto!

 

 

Referências:

DAYAN, P. H., SFORZO, G. A., BOISSEAU, N., PEREIRA-LANCHA, L. O., & LANCHA, A. H. A New Clinical Perspective: Treating Obesity with Nutritional Coaching v. Energy-restricted Diets. Nutrition, 2018. doi:10.1016/j.nut.2018.09.027 .

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