Nutrientes importantes para o tratamento da depressão: você sabe quais são?

Nutrientes como vitaminas, minerais e ácidos graxos estão envolvidos na prevenção e tratamento do transtorno depressivo.

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No nosso último post, falamos sobre a relação da nutrição e o transtorno depressivo, trazendo recentes evidências científicas sobre o tema que parecem apontar o caminho multidisciplinar para o tratamento. E por isso, a nutrição deve ser sempre que possível, incluída e analisada com cuidado nestes casos.

Mas, você sabe quais são os nutrientes mais importantes no tratamento da depressão?

As deficiências nutricionais mais comuns entre os pacientes depressivos são de ácidos graxos ômega-3, vitaminas do complexo B, minerais e aminoácidos precursores de neurotransmissores. Por isso, os seguintes nutrientes possuem um papel importante tanto para a prevenção quanto para o tratamento da doença.

Magnésio –  a ação antidepressiva do magnésio depende da sua interação com os receptores de serotonina e dopamina (neurotransmissores ligados a sensação de bem estar e felicidade). As principais fontes deste nutriente são a banana, o abacate, a beterraba, o quiabo, as amêndoas e nozes.

Zinco – algumas ações antidepressivas deste mineral têm sido levantadas: seja pela influência positiva no fator neurotrófico derivado do cérebro (BNDF), que está relacionado a depressão devido a sua capacidade de aumentar a sobrevivência das células do sistema nervoso central ou, pela ação anti-inflamatória, por diminuir marcadores inflamatórios importantes, como a interleucina-6, proteína C reativa e fator de necrose tumoral que quando em quantidades elevadas, são associados a sintomas depressivos. Os principais alimentos ricos em zinco são a carne vermelha, os leites e derivados, o feijão, a castanha de caju e amêndoas.

Triptofano – é o aminoácido essencial mais estudado no âmbito da depressão. A associação entre o triptofano e o desenvolvimento da depressão é explicada pelo fato deste aminoácido ser precursor da síntese da serotonina, o neurotransmissor envolvido na fisiopatologia da depressão e também da melatonina, hormônio com função na regulação do sono. É encontrado em alimentos como arroz integral, feijão, lentilha, soja, carne bovina, peixe, aves, abóbora, banana, manga, chocolate amargo, queijo tofu, linhaça e aveia.

Ácidos graxos Ômega-3 (ω-3) e ômega-6 (ω-6) – especificamente sobre a depressão, esses ácidos graxos atuam como anti-inflamatórios uma vez que o processo inflamatório exacerbado é capaz de afetar negativamente o sistema nervoso central. Além disso, o ômega 3 pode melhorar a neuro transmissão de serotonina e dopamina e conferir propriedades anti-inflamatórias, assim como a capacidade de melhorar a expressão do BDNF e a inibição da liberação de citocinas pró-inflamatórias. O ômega 3 pode ser encontrado no salmão, atum, sardinha, semente de linhaça e óleos de canola e soja. Já o ômega 6, são encontrados em carnes, ovos, óleos (de girassol, milho, soja amendoim e palma).

Flavonoides – os principais mecanismos que explicam os benefícios do consumo de flavonoides em relação a depressão, é por contribuírem para a diminuição da morte dos neurônios, ajudar nos mecanismos de comunicação e coordenação das funções das células, auxiliar na melhora do fluxo sanguíneo no cérebro garantindo a nutrição das células. As principais fontes de flavonoides são as frutas vermelhas, os chás (branco, verde e preto), a soja, uva e brócolis.

Vitaminas B6 (piridoxina), B9 (ácido fólico ou folato) e B12 (cobalamina ou cianocobalamina) – a relação dessas vitaminas com os sintomas depressivos, deve-se aos processos de síntese dos neurotransmissores no sistema nervoso central e por participarem do metabolismo da homocisteína, proteína que em altas concentrações aumenta a oxidação por radicais livres. Por isso, quando ocorre ingestão insuficiente dessas vitaminas aumenta a susceptibilidade à depressão, pela diminuição na síntese dos neurotransmissores ou pelo aumento na concentração de homocisteína. São encontradas nas carnes animais e nas leguminosas, hortaliças e frutas,

Vitamina D – A relação entre deficiência de vitamina D e depressão pode ser explicada pela diminuição de síntese de neurotransmissores. A principal fonte de vitamina D é a exposição solar e considerando que os indivíduos depressivos tendem a passar muito tempo em locais fechados, é necessário muitas vezes, a suplementação dessa vitamina.

E vale lembrar sempre: em casos de diagnóstico de depressão, é fundamental a busca por tratamento com uma equipe médica especializada.

 

Referências bibliográficas:

Sezini, A. M.; Gil, C. S. G. do C. NUTRIENTES E DEPRESSÃO. Vita et Sanitas, Trindade-Go, n.08, jan-dez./2014.

Senra, I. do C. R. Food and Depression. Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, Porto, 2017.

Chang, S. et al. Dietary flavonoid intake and risk of incident depression in midlife and older women. The American Journal Of Clinical Nutrition; 104(3):704-714, 2016.

1 COMENTÁRIO

  1. Dra Carol muito obrigada pelo post, sou nutricionista e estava pesquisando justamente sobre o assunto quando vi sua publicação, com certeza vou estudar todas as referências, um assunto extremamente importante e pertinente, as pessoas têm nos buscado como profissionais de saúde com dúvidas sobre essa correlação e nada melhor que respaldo científico.

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