Milho: muito além do sabor

Os milhos mais comuns no Brasil, apresentam compostos bioativos como a β – criptoxantina, o β - caroteno, o α – caroteno, zeaxantina e luteína.

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Hoje vamos falar de um alimento específico: o milho! Ele está presente na mesa dos brasileiros através de diferentes preparações: cozido, refogado, em preparações doces, como o curau e a pamonha.

Mas além de agradar o paladar, o milho tem atraído cada vez mais atenção da comunidade científica por ser rico em nutrientes, compostos bioativos e fitoquímicos, juntamente com potenciais benefícios de promoção da saúde.

E para isso, hoje vamos falar sobre um artigo publicado na Food Science and Human Wellness em 2018, por pesquisadores da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, que discutiram os fitoquímicos do milho e seus benefícios para a saúde.

Entre os principais nutrientes presentes no milho, estão os fitoquímicos como as vitaminas (A, B, E, e K), minerais (Mg, P e K), ácidos fenólicos (ácido ferúlico, ácido cumárico e ácido siríngico), carotenoides e flavonóides (antocianinas), além da fibra alimentar. A maioria dos fitoquímicos do milho estão presente no farelo e no germe, em vez do endosperma.

E no que se refere aos compostos bioativos, a composição pode variar de acordo com o tipo de milho.

De forma geral, os milhos mais comuns no Brasil, que são o milho branco (da canjica) e o milho amarelo, apresentam uma quantidade maior de zeaxantina e luteína, respectivamente. No entanto, outros compostos, como a β – criptoxantina, o β –  caroteno e o α – caroteno também podem ser encontrados em quantidades menores.

O β –  caroteno, o α – caroteno e a β – criptoxantina são carotenóides com atividade pró-vitamina A, ou seja, podem ser convertidos em retinol (vitamina A) no corpo humano.

Já as xantofilas (luteína e zeaxantina), não podem ser convertidas em vitamina A. Luteína e zeaxantina são seletivamente absorvidas na região da mácula (mancha amarela) no olho. Estudos de coorte,  caso-controle e ensaios clínicos têm evidenciado uma associação significativa entre a ingestão de luteína / zeaxantina e redução de risco para degeneração macular relacionada à idade  avançada (confira nosso artigo sobre saúde ocular e compostos bioativos).

Ensaios clínicos em humanos, estudos epidemiológicos e alguns estudos têm indicado que o consumo regular de milho e seus produtos derivados de grãos integrais estão associados à redução do risco de desenvolver doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade.

Além disso, o alto teor de amilose do milho contribui para a saúde digestiva pela resistência à digestão, levando compostos bioativos para o cólon. Portanto, modificações dietéticas do aumento do consumo de milho e outros cereais integrais são uma estratégia prática para otimizar a saúde e reduzir o risco de doenças crônicas.

No entanto, segundo os autores, há uma carência de pesquisas sobre muitos fitoquímicos do milho, como os ácidos fenólicos e flavonoides, necessitando assim, de mais estudos que explorem essa lacuna e elucidem os benefícios principalmente do milho doce.

 

 

Referências bibliográficas:

Sheng, S.; Li, T.; liu, RH. Corn phytochemicals and their health benefits. Food Science and Human Wellness 7 (2018) 185–195.

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