Leite integral ou desnatado: novas perspectivas?

O padrão alimentar é muito mais importante do que apenas um grupo de alimentos isolado.

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Já discutimos por aqui a importância do consumo de leite e derivados para a saúde, esse grupo foi associado ao menor risco de mortalidade e eventos cardiovasculares em uma coorte multinacional diversa (estudo PURE).

No entanto, uma discussão bastante pertinente e uma das principais dúvidas nos consultórios consiste na diferença entre o leite integral e o desnatado, qual é melhor?

Bom, o melhor é sempre uma questão muito individualizada na prática clínica, no entanto, a recomendação do consumo de leite desnatado já tem sido realizada há aproximadamente 40 anos nos EUA, nos casos em que é necessário restringir a quantidade de gordura da alimentação.

Por isso, hoje trouxemos uma discussão recentemente publicada no JAMA que debate justamente o consumo de leite integral x desnatado.

Segundo os autores, o debate reside no fato de alguns estudos recentes sugerirem que leite, queijo e iogurte com alto teor de gordura são tão saudáveis ​​quanto a versão com baixo teor de gordura e questionam o aconselhamento de evitar o leite integral e produtos feitos com ele.

Um dos estudos citados na matéria é o estudo PURE, também já discutido aqui, como mencionado acima. No entanto, como todo estudo, o PURE também tem limitações, então os autores também somaram a esses dados, análise de biomarcadores circulantes de ácidos graxos encontrados em produtos lácteos para associar com dados de mortalidade total, mortalidade por causa específica, risco de doença cardiovascular, e diabetes mellitus tipo 2.

Os resultados apontaram que nenhum ácido graxo foi significativamente associado a mortalidade total, enquanto altos níveis de um tipo de ácido graxo (ácido heptadecanóico) foram inversamente associados com doença cardiovascular e a mortalidade por infarto agudo do miocárdio. Em outro estudo comentado pelos autores, níveis mais altos de ácidos graxos presentes no leite foram associados a um menor risco de diabetes tipo 2.

No entanto, os autores apontam muito bem a importância dos desenhos desses estudos, que em grande parte, são observacionais. Ou seja, apresentam importantes limitações e indicam a necessidade de que estudos de intervenção sejam realizados.

Por fim, os autores discutem se é hora de mudar as recomendações das diretrizes dietéticas americanas, passando a recomendar leite e derivados integrais.  Porém, é enfatizado que mais pesquisas são necessárias para avaliar os efeitos na saúde de diferentes tipos de produtos lácteos e em diversas populações, para que se tenha embasamento convincente, para suportar a mudança nas diretrizes americanas.

Outro ponto levantado é sobre a importância do padrão alimentar e não apenas um único alimento, já que costumam variar muito entre as pessoas: por exemplo, o consumo de leite e derivados entre norte americanos é diferente do consumo entre europeus.

Ou seja, a mensagem final é: o padrão alimentar variado, com todos os grupos de alimentos é um hábito saudável. Moderação e equilíbrio sempre!

 

Referências bibliográficas:

Rubin, R. (2018). Whole-Fat or Nonfat Dairy? The Debate Continues. JAMA. doi:10.1001/jama.2018.17692

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