Isoflavonas da soja: velhos e novos paradigmas

Estudos com isoflavonas da soja têm sido direcionados para a investigação de benefícios à saúde da mulher, especialmente no climatério e câncer de mama, no entanto, novas pesquisas tem explorado outros caminhos, como seu papel nas doenças intestinais.

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Um alimento que têm sido alvo de inúmeras pesquisas nos últimos anos é a soja. Isso porque, a soja é uma fonte rica de isoflavonas.

Mas, você sabe o que são isoflavonas?

As isoflavonas são classificadas tanto como fitoestrógenos quanto como moduladores seletivos do receptor de estrogênio. Dois tipos principais de isoflavonas de soja são a genisteína e a daidzeina. São compostos bioativos que apresentam estrutura semelhante ao estradiol, o principal hormônio feminino, por isso, o grande interesse na elucidação de seus benefícios à saúde e como alternativa à terapia hormonal convencional têm sido o principal alvo das pesquisas nos últimos anos.

As pesquisas clínicas mostram que as isoflavonas e o estrogênio exercem efeitos diferentes em uma variedade de resultados de saúde. Já sobre os efeitos da soja, existem evidências científicas de que possuem potencial de auxiliar beneficamente em várias condições e doenças associadas à transição da menopausa, como por exemplo, reduzir a doença cardíaca isquêmica através de múltiplos mecanismos: a proteína de soja reduz as concentrações de lipoproteína de colesterol de baixa densidade (LDL- c), e além disso, as isoflavonas melhoram a função endotelial e possivelmente retardam a progressão da aterosclerose subclínica.

Já em relação aos benefícios relacionados às mulheres no climatério ainda restam dúvidas: segundo relatos da literatura, os suplementos de isoflavonas tem potencial de aliviar as ondas de calor na menopausa, desde que contenham quantidades suficientes de genisteína predominantes. No entanto, a evidência de que as isoflavonas reduzem a perda óssea em mulheres na pós-menopausa não é um consenso científico.

Um outro ponto contraditório relacionado as isoflavonas refere-se ao impacto do consumo de soja no risco de câncer de mama, que tem sido intensamente investigado. Isso porque, a descoberta de que a genisteína da dieta, a isoflavona de soja primária, estimulava o crescimento de tumores mamários existentes em camundongos com células de câncer de mama positivas levou muitos oncologistas a aconselharem seus pacientes contra o uso de alimentos de soja. No entanto, relatos na literatura indicam que a exposição à isoflavona tem pouco efeito sobre os marcadores do risco de câncer de mama.

Além disso, uma análise com 9514 sobreviventes de câncer de mama acompanhadas por 7,4 anos descobriu que a ingestão de soja pós-diagnóstico foi associada a uma redução significativa de 25% na recorrência do tumor. Outros estudos, apontam que para a soja reduzir o risco de câncer de mama, o consumo durante a infância e / ou adolescência se faz necessário.

Estudos mais recentes têm associado o consumo de isoflavonas a outros benefícios a saúde. Em um estudo publicado pelo World Journal of Gastroenterology, os pesquisadores investigaram a associação entre a ingestão de isoflavonas e os sintomas de motilidade intestinal (dor abdominal, flatulência, constipação, tenesmo) em indivíduos em remissão da colite ulcerativa (56 indivíduos, 19 homens e 37 mulheres). Os resultados mostraram que a ingestão moderada de isoflavonas na dieta pode ser benéfica para indivíduos com colite ulcerativa em remissão, melhorando sintomas de dor abdominal e constipação. Mas, os autores consideram necessário mais estudos antes de tornar a recomendação do consumo da soja nas dietas um consenso.

De toda forma, parece que ainda existe um longo caminho a ser percorrido pela ciência no que se refere ao consumo da soja e de seus compostos bioativos. Seja para elucidar antigos paradigmas, bem como, para descobrir novas aplicações a saúde.

 

 

Referências bibliográficas:

Glabska, D., Guzek, D., Grudzińska, D., & Lech, G. Influence of dietary isoflavone intake on gastrointestinal symptoms in ulcerative colitis individuals in remission. World Journal of Gastroenterology, 23(29), 2017.

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Messina, M. Soy foods, isoflavones, and the health of postmenopausal women. Am J Clin Nutr. 2014 Jul;100 Suppl 1:423S-30S. doi: 10.3945/ajcn.113.071464. Epub 2014 Jun 4.

Ferrari, R. A.; Demiate, I. M. Isoflavonas de soja – uma breve revisão. Publicatio UEPG – Biological and Health Sciences. 7 (1): 39-46, 2001.

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