Inflamações e o risco de câncer: qual é o papel da dieta nessa relação

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Os processos inflamatórios fazem parte de muitas doenças crônicas e uma delas é o câncer. Inclusive, há estudos que indicam os riscos desse tipo de inflamações para o desenvolvimento e progressão da doença, incluindo o câncer de mama.

Uma das possíveis explicações se refere ao fato de que a inflamação crônica, ou seja, aquela que dura muito tempo, pode causar danos ao DNA e estimular a proliferação acima do normal de células, fatores cruciais na carcinogênese.

Dessa forma, quando se fala em prevenção de câncer, é essencial levar essa importante informação em consideração. E nesse contexto, os olhos precisam se voltar para a dieta, comprovadamente um dos fatores que influenciam nos processos inflamatórios.

Padrões alimentares com altos níveis de amidos refinados, açúcar, carne vermelha, gordura saturada e ácidos graxos trans são associados à ativação do sistema imunológico.

Por outro, padrões dietéticos ricos em frutas, vegetais, grãos inteiros e peixes são constantemente associados inversamente aos parâmetros inflamatórios, ou seja, quanto maior o consumo desses alimentos, menos inflamação.

Esse critério parece se repetir também quando falamos especificamente em câncer de mama. De fato, num estudo publicado em 2019 na revista Nutrients, um padrão mais elevado de alimentos com potencial inflamatório esteve positivamente associado ao risco de câncer de mama em mulheres coreanas.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas usaram o Índice Inflamatório Dietético (DII), que consiste em uma pontuação alimentar desenvolvida para avaliar o potencial inflamatório da dieta. 364 pacientes com câncer de mama e 364 pacientes sem a doença foram avaliadas.

Como dito, os resultados mostraram que, entre as mulheres que tinham câncer de mama, o padrão de dieta era mais alto em alimentos inflamatórios. Além disso, maiores pontuações foram relacionadas a um risco aumentado de câncer de mama para receptores de estrogênio (ER+) e progesterona (PR+) – que são receptores que captam sinais hormonais resultando no crescimento celular.

Obviamente, o câncer é uma doença complexa com muitas causas e agravantes, portanto, os resultados precisam sempre ser analisados e interpretados com bastante cautela. Mas ainda assim, mais uma vez, um padrão de dieta à base de vegetais se destaca como promotor da manutenção de uma boa saúde e como um bom aliado na prevenção de doenças.

Referências bibliográficas:

Bode´n S, Myte R, Wennberg M, Harlid S, Johansson I, Shivappa N, et al. (2019) The inflammatory potential of diet in determining cancer risk; A prospective investigation of two dietary pattern scores. PLoS ONE 14(4): e0214551. https://doi.org/10.1371/journal. pone.0214551.

Lee, Quiambao, Lee, Ro, Lee, Jung, Kim. Dietary Inflammatory Index and Risk of Breast Cancer Based on Hormone Receptor Status: A Case-Control Study in Korea. Nutrients, 11(8), 1949, 2019. 

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