Hipertensão e nutrição: o que dizem as novas evidências científicas?

Indivíduos com concentrações séricas normais de vitamina D, a ingestão de cálcio adequada pode contribuir para a prevenção ou tratamento da hipertensão e, o peso é uma variável importante e deve ser sempre um fator a ser considerado no contexto da prevenção e tratamento da hipertensão.

0
52

Hoje é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão e por isso, ao longo da semana, discutimos temas relacionados a esse tema. Hoje, vamos trazer algumas discussões importantes que aconteceram ao longo da semana, nas principais revistas científicas.

Para começar, vamos falar sobre a importância da ingestão de cálcio e vitamina D na hipertensão. Essa é uma relação ainda bastante incerta na literatura e novos estudos têm buscado entender os mecanismos que podem estar envolvidos. Nessa semana, foi publicado pela revista Nutrients, um estudo de base populacional, que examinou a associação entre ingestão dietética de cálcio e a influência das concentrações séricas de 25-hidroxivitamina D [25 (OH) D] e hipertensão em 619 indivíduos japoneses com idade a partir de 40 anos.

Os resultados encontrados mostraram que a ingestão dietética de cálcio correlacionou-se inversamente com hipertensão em indivíduos com níveis séricos normais de 25 (OH) D (superiores a 20 ng / mL), mas não foi significativa naqueles com 25 (OH) D sérica níveis de 20 ng / mL ou inferiores. Portanto, o consumo regular de cálcio pode contribuir para a prevenção e tratamento da hipertensão em indivíduos com deficiência de vitamina D.

Portanto, o estudo indica que em indivíduos com concentrações séricas normais de vitamina D, a ingestão de cálcio adequada pode contribuir para a prevenção ou tratamento da hipertensão. Claro que trata-se de um estudo transversal, portanto, apresenta diferentes limitações. Ainda assim, são novas evidências que apontam para uma nova agenda de pesquisa nesse campo.

Hoje, foi publicado no periódico Journal of Hypertension um artigo que avaliou a relação entre a mudança de status de peso desde a infância até a idade adulta e a hipertensão em adultos, em uma população chinesa.

Para isso, os dados foram obtidos de um estudo de coorte (China Health and Nutrition Survey), e incluíram 2095 participantes que tiveram pelo menos uma medida de IMC e pressão arterial (PA) na infância (6–17 anos) e no início da idade adulta (18–37 anos) entre 1991 e 2011.

Os resultados mostraram que o sobrepeso/obesidade no início da vida adulta foi associado à hipertensão em adultos, independente do status de peso na infância. Em contrapartida, o risco de hipertensão no adulto pode ser revertido se as crianças com sobrepeso/obesidade se tornarem adultos com peso normal. Portanto, o peso é uma variável importante e deve ser sempre um fator a ser considerado no contexto da prevenção e tratamento da hipertensão.

Além disso, é sempre importante lembrar que as condutas devem ser individualizadas e sempre que possível, serem abordadas por uma equipe multiprofissional, para que seja avaliado e estabelecido o melhor protocolo de prevenção ou tratamento. Ainda, não podemos esquecer que no Brasil temos a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, uma diretriz importante que deve ser sempre discutida.

 

Referências bibliográficas:

Nakamura, H.; et al. Dietary Calcium Intake and Hypertension: Importance of Serum Concentrations of 25-Hydroxyvitamin D. Nutrients 2019, 11(4), 911.

Yaping, H.;Mingming, W.;Liu, Y.; a;Min, Z.; Yinkun, Y.; Bo, X. Weight status change from childhood to early adulthood and the risk of adult hypertension. Journal of Hypertension: June 2019 – Volume 37 – Issue 6 – p 1239–1243.

Malachias, M. V. B. et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Sociedade Brasileira de Cardiologia.  Revista da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Volume 107, Nº 3, Suplemento 3, Setembro, 2016.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, digite seu nome