Fitoesteróis e colesterolemia: qual o benefício?

Um maior consumo de fitosteróis dietético foi associado a um menor Índice de Massa Corporal (IMC), menor circunferência da cintura (CC), pressão arterial mais baixa, níveis de colesterol total (sérico) e LDL-c reduzidos e, menor prevalência de sobrepeso/obesidade e obesidade abdominal.

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Já discutimos em outros momentos aqui no portal o papel dos ácidos graxos na saúde humana. No entanto, um tema pouco abordado até agora foi o de fitoesteróis, embora tenha grande relevância no contexto dos alimentos funcionais.

E como esse é o nosso tema ao longo do mês, hoje vamos falar sobre ele.

Os fitoesteróis são um grupo de substâncias, os chamados esteróis, cuja estrutura é semelhante ao colesterol. As principais fontes são os óleos vegetais, como os de soja, canola e girassol. Mas, também são encontrados nas nozes, no gergelim, no amendoim e nos cereais em gerais, assim como em alguns legumes e frutas.

O benefício mais amplamente aceito e cujas pesquisas têm recebido mais atenção, diz respeito ao uso dos fitosteróis e impacto na modulação da colesterolemia, por meio de mecanismos de competição com o colesterol na formação de micelas, ou seja, nessa competição pela absorção, o colesterol não é absorvido pelo organismo e assim, ocorre a redução dos níveis de colesterol.

Um estudo publicado em 2018 pela Lipids in Health and Disease, relacionou o consumo de fitosteróis com demais parâmetros, e encontraram que um maior consumo de fitosteróis dietético foi associado a um menor Índice de Massa Corporal (IMC), menor circunferência da cintura (CC), pressão arterial mais baixa, níveis de colesterol total (sérico) e LDL-c reduzidos e, menor prevalência de sobrepeso/obesidade e obesidade abdominal em adultos chineses.  No estudo, foram incluídos 409 homens e 503 mulheres com idade entre 18 e 60 e a ingestão dietética de fitoesteróis foi estimada usando um questionário de frequência alimentar validado.

Estudos recentes têm explorado novas aplicações do uso de fitosteróis para a saúde humana. Em um estudo de revisão publicado neste ano, pesquisadores do México investigaram como os fitosteróis, pela semelhança estrutural com o colesterol, agem como hepatoprotetores, e sugeriram que são uma opção viável para a prevenção e tratamento de doenças hepáticas crônicas relacionadas ao metabolismo, cirrose e carcinoma hepatocelular.

Por enquanto o que temos de recomendação aprovada no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é o consumo de 1 à 3 gramas ao dia de fitosteróis, sendo que doses superiores a esta não são recomendadas em virtude de não haver benefícios adicionais comprovados, principalmente pelas evidências relacionadas a colesterolemia.

 

 

Referências bibliográficas:

Sánchez-Crisóstomo, I.; et al. Phytosterols and Triterpenoids for Prevention and Treatment of Metabolic-related Liver Diseases and Hepatocellular Carcinoma. Curr Pharm Biotechnol. 2019;20(3):197-214.

Li, Y. C.; et al. Associations of dietary phytosterols with blood lipid profiles and prevalence of obesity in Chinese adults, a cross-sectional study. Lipids Health Dis. 2018 Mar 16;17(1):54.

Lara, R. S.; Natacci, L.; Damsceno, N.; Conti, F.; Raele, R. Ácidos Graxos Monoinsaturados (MUFAs), Ácidos Graxos Monoinsaturados (PUFAs) e Fitoesteróis. In: Pimentel, C. V. de M. B.; Elias, M. F.; Philippi, S. T. Alimentos funcionais e compostos bioativos. Barueri, Sp: Manole, 2019.

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