Fibras: para além da saúde intestinal

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As fibras estão sempre protagonizando posts pelas redes sociais e revistas de nutrição por aí. Além de favorecer a saúde e o equilíbrio intestinal, quais seriam as demais explicações que apoiam o consumo das fibras?

Vamos lá.

Em janeiro deste ano, num artigo conduzido por Reynolds e colaboradores, publicado na revista The Lancet, os pesquisadores quantificaram diversos marcadores bioquímicos na relação entre a qualidade dos carboidratos e a saúde.

Foram determinados quais os marcadores são mais úteis  e então estabeleceram uma base de evidência relevante para recomendação quantitativa na ingestão de fibra alimentar.

A partir das análises conduzidas, os resultados de estudos observacionais apontaram que quem consome mais fibra tem uma redução de 15 a 30% na mortalidade por todas as causas e por causas como doenças cardiovasculares, incidência de doença cardíaca coronária, mortalidade por AVC, diabetes tipo 2 e câncer colorretal, comparados com os que consomem menores quantidades de  fibras alimentares.

A redução de risco associada a uma série de resultados críticos foi maior quando a ingestão diária estava entre 25 e 29 g de fibras dietéticas.

As curvas de dose-resposta sugeriram que a ingestão mais alta de fibra alimentar poderia beneficiar ainda mais, protegendo contra doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer colorretal e de mama.

Em estudos randomizados, a ingestão mais alta de fibra dietética reduziu o peso corporal e o colesterol no sangue e a pressão arterial sistólica.

Segundo os autores, esses achados são apoiados por estudos de coorte, que relatam a redução do risco de incidência de doença cardíaca coronária, incidência de diabetes e mortalidade.

Segundo os autores, o índice glicêmico, a carga glicêmica e as fontes de fibra alimentar constituem-se em marcadores menos úteis em se tratando da qualidade dos carboidratos, em virtude dos resultados serem inconsistentes ou os dados serem insuficientes, fornecendo assim, evidências de baixa qualidade.

Os estudos indicam que o consumo elevado de fibra alimentar e cereais integrais são mais relevantes para um bom resultado em relação a saúde do que as medidas de índice glicêmico ou carga glicêmica. Principalmente porque independe do índice glicêmico baixo o alimento pode conter outros atributos que não promovem a saúde.

Portanto, os principais achados da pesquisa indicam que:

Baixo consumo de fibras contribuem o desenvolvimento de várias DNCTs;

A ingestão na faixa de 25 a 29 g por dia é adequada, os dados dos pacientes sugerem que quantidades maiores que 30 g por dia conferem benefícios adicionais. Assim, presume-se que aumentar a ingestão de fibras na dieta e substituir grãos refinados por grãos integrais podem ser benefícios a saúde humana.

 

Referências bibliográficas:

Reynolds, A., Mann, J., Cummings, J., Winter, N., Mete, E., & Te Morenga, L. Carbohydrate quality and human health: a series of systematic reviews and meta-analyses. The Lancet, volume 393, issue 10170, P434-445, February 02, 2019.

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