Fibras alimentares: quais os reais benefícios?

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As fibras de um modo geral (solúveis e insolúveis) têm sido correlacionadas com benefícios a saúde associados a saúde cardiovascular, síndrome dos ovários policísticos e Síndrome do Intestino Irritável.

E para começar nossas discussões sobre alimentos funcionais e compostos bioativos, hoje vamos falar sobre fibras.

Não restam dúvidas de que é importante consumirmos fibras diariamente, certo?! Mas você sabe quais são os tipos de fibras? Como elas agem? Qual a quantidade recomendada? E a sua relação com efeitos na saúde?

A fibra alimentar é uma forma não digerível de carboidrato, em virtude da enzima digestiva necessária para digerir as fibras em seres humanos.

As fibras alimentares são classificadas de acordo com suas propriedades de solubilidade em água como fibras solúveis ou insolúveis. O grupo das fibras solúveis em água inclui a pectina, as gomas, a mucilagem, os frutanos e alguns amidos resistentes. E aonde são encontrados? Esse tipo de fibras é encontrado em algumas frutas, legumes, aveia e cevada e sua ação têm sido demonstradas para redução de colesterol no sangue por vários mecanismos.

Já as fibras insolúveis em água incluem a lignina, celulose e hemicelulose e são encontradas em alimentos integrais, como farelos, nozes e sementes. A principal ação dessas fibras está ligada ao rápido esvaziamento gástrico e, assim, diminuem o tempo de trânsito intestinal e aumentam o volume fecal, promovendo a regularidade digestiva.

E qual é a recomendação de consumo?

As doses diárias recomendadas (RDAs) para o consumo total de fibras entre indivíduos de 19 a 50 anos varia de acordo com o sexo: para homens a recomendação é de 38 gramas/dia e 25 gramas/dia para mulheres.

Já a relação do consumo de fibras e seus benefícios à saúde são diversos. Vamos ver alguns exemplos.

Pesquisadores iranianos avaliaram a relação entre o consumo de fibra dietética e o risco de síndrome do intestino irritável (SII) por meio de um estudo caso-controle, que envolveu 90 casos e 355 controles selecionados de uma clínica de gastroenterologia. Os resultados encontrados mostraram que o consumo total de fibra dietética foi significativamente associado com menor risco de SII, ou seja, a fibra alimentar está inversamente associada ao risco de SII.

Em um outro estudo, conduzido por pesquisadores norte-americanos e publicado pelo Nutrition Journal recentemente, avaliaram a ingestão de fibra alimentar e controle glicêmico em desfechos cardiovasculares (calcificação da artéria conorária) em indivíduos com diabetes tipo 1. Os pesquisadores utilizaram dados do estudo Calcificação da Artéria Coronária em Diabetes Tipo 1 (CACTI) [n = 1257; indivíduos com diabetes (DT1): n = 568; controles não-diabéticos: n = 689] coletados entre março de 2000 e abril de 2002. Os pesquisadores encontraram associações inversas modestas entre ingestão de fibra dietética total e controle glicêmico adequado. Ou seja, embora a associação não tenha sido estatisticamente forte, mostrou que quanto maior o consumo de fibras, menor a glicemia.

Ainda, em um outro estudo também publicado neste ano, pela Food Science and Nutrition, os pesquisadores por meio de um estudo de coorte, avaliaram se as ingestões de fibra alimentar e magnésio apresentavam associação com resistência à insulina e ao hiperandrogenismo na síndrome do ovário policístico (SOP). No estudo, foram incluídas 87 mulheres com SOP e 50 mulheres sem SOP. Os resultados mostraram que as mulheres com SOP consumiram menos fibras e menos magnésio do que as mulheres sem SOP. Em mulheres com SOP, aquelas que apresentavam resistência à insulina (RI) consumiram menos fibras, menos magnésio e maior carga glicêmica do que aqueles sem RI. O consumo de fibras de mulheres com SOP foi negativamente correlacionado, ou seja, quanto maior o consumo de fibras em mulheres com Síndrome do Ovário Policístico, menor a resistência à insulina, menor a insulina em jejum, menor a tolerância a glicose, menos testosterona e menos sulfato de desidroepiandrosterona. Portanto, os autores concluem que o aumento da ingestão de fibra dietética e magnésio pode ajudar a reduzir a resistência à insulina e a hiperandrogenemia em mulheres com Síndrome do Ovário Policístico.

E se fossemos continuar falando sobre evidências científicas em relação a fibras, precisaríamos de um mês todo e ainda assim, não conseguiríamos abordar tudo. E isso decorre, em partes, da importância das fibras como um alimento funcional e que possui inúmeros benefícios para o organismo.

Acompanhem os próximos posts que vamos continuar discutindo mais alimentos funcionais. Até lá.

 

 

Referências bibliográficas:

 

Oskouie, F. H.; et al. Dietary fiber and risk of irritable bowel syndrome: a case-control

Study. Gastroenterol Hepatol Bed Bench 2018;11(Suppl. 1):S20-S24.

Soliman, G. A. Dietary Fiber, Atherosclerosis, and Cardiovascular Disease. Nutrients 2019, 11(5), 1155.

Basu, A.; Alman, A. C.; Snell-Bergeon, J. k. Dietary fiber intake and glycemic control:

coronary artery calcification in type 1 diabetes (CACTI) study. Basu et al. Nutrition Journal (2019) 18:23.

Cutler, D. A.; Pride, S. M.; Cheung, A. P. Low intakes of dietary fiber and magnesium are associated with insulin resistance and hyperandrogenism in polycystic ovary syndrome: A cohort study. Food Sci Nutr. 2019 Feb 27;7(4):1426-1437.

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