Fibra Alimentar e Compostos Bioativos

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Conhecidas por vários anos como celulose, hemicelulose e lignina, as fibras e ganharam seus aspectos nutricionais em 1976 quando Trowell criou a sua definição incluindo os polissacarídeos não amido (PNA) além dos componentes que já a compunham. Segundo Trowell: “Fibra alimentar é constituída, principalmente, de polissacarídeos não amido e lignina que são resistentes à hidrólise pelas enzimas digestivas humanas.”

As fibras podem ser insolúveis (celulose, lignina, amido resistente, algumas pectinas e parte da hemicelulose) e solúveis (betaglicanos, gomas psyllium, pectina, inulina) e dependendo as suas propriedades podem ser também fermentativas (amido resistentes, pectina, betaglicanos, inulina), viscosas (pectina, betaglicanos, algumas gomas e psyllium) e não fermentáveis (celulose e lignina).

Embora houvesse no passado uma distinção sobre as fibras solúveis e insolúveis atribuindo a elas papeis fisiológicos distintos, hoje entende-se que devido à complexidade da atuação das fibras no metabolismo essas nomenclaturas simplistas não são mais utilizadas para não induzir equívocos conceituais e de interpretação.

Assim as definições devem ser correlacionadas aos seus efeitos fisiológicos ampliando a visão sobre suas propriedades nutricionais.

Um exemplo da importância das fibras está relacionado aos compostos antioxidantes, pois as FA, impactam a bioacessibilidade e biodisponibilidade, e isso se deve em função das suas propriedades de solubilização e absorção no trato digestório.

Dos compostos bioativos presentes nas fibras, entre os principais estão os  compostos antioxidantes, como os carotenoides (carotenos e xantofilas), vitaminas (C e E), polifenóis (PP) (ácido fenólico, flavonoides, estilbenos e taninos).

Alguns compostos como vitaminas, polifenóis de baixo peso molecular e carotenoides são absorvidos no intestino delgado, porém existem antioxidantes como os polifenóis poliméricos e polifenós complexados na matriz da fibra e  alguns carotenoides, que alcançam o cólom, anexados a fibras para então ser liberados no intestino grosso, para absorção, por ação da microbiota.

Ou seja, consumo de fibras, pode interferir na absorção dos compostos antioxidantes, tanto no aumento quanto na redução pois cerca de 50% do total dos antioxidantes, principalmente os polifenóis passam pelo intestino delgado associados as fibras até o intestino grosso.

Além disso a fibra tem um importante papel na saciação e saciedade, no funcionamento intestinal, exerce efeitos na resposta glicêmica, no perfil lipídico, aporte de energia, modulação da microbiota e ainda outros efeitos específicos celulose e do amido resistente, por exemplo, que atuam na redução do risco do desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Para um consumo de fibra alimentar é importante manter uma alimentação rica em alimentos in natura rica em vegetais, leguminosas como feijões, lentilha, ervilha, grão-de- bico, cereais integrais como arroz, trigo, aveia, milho, frutas e hortaliças e alguns alimentos fortificados que apresentam a adição.

 

Referências bibliográficas:

Giuntini, E. B, Menezes, E. W., Sardá F. A. H, Coelho, K. S. – Fibras Alimentares In: Pimentel, C. V. de M. B.; Elias, M. F.; Philippi, S. T. Alimentos funcionais e compostos bioativos.1ª. ed. Barueri (SP): Manole, 2019.

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