Estresse: o maior desafio da medicina do estilo de vida?

O estresse tem sido associado a um fator de risco capaz de aumentar respostas inflamatórias em humanos.

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Hoje vamos falar de um tema que muitas pessoas se interessam: o estresse! E que nós, brasileiros, entendemos muito bem, segundo o ranking feito pela International Stress Management Association (Isma – Brasil), pois, ocupamos o segundo lugar de país mais estressado do mundo, em um ranking com dez países.

Por isso, precisamos de fato entender como podemos melhorar nosso estilo de vida e nossa saúde!

Mas afinal, o que de fato é o estresse?

A palavra estresse foi utilizada primeiramente na física, e estava relacionada ao desgaste sofrido por materiais expostos a pressões ou forças.

Porém, ainda no século XVIII, em 1926, Hans Selye, um endocrinologista, caracterizou o estresse como uma síndrome em resposta as situações que influenciam as condições do organismo e o levam a adoecer. Nos dias atuais, estresse está relacionado a pressão, insistência e estar estressado significam estar sob pressão ou estar sob ação de um determinado estímulo insistente.

Por isso, atualmente, pode ser considerado como um dos problemas que mais age sobre os indivíduos, interferindo na homeostase de seu organismo, devido à grande quantidade de tensões que enfrenta no dia a dia.

E em virtude da importância do estresse como fator relacionado ao desenvolvimento de doenças, têm se observado o desenvolvimento de diferentes pesquisas que buscam o entender melhor.

Pesquisadores norte americanos, investigando o papel que o exercício físico, especificamente a corrida, exerce nas consequências do estresse em ratos, identificaram que o exercício é um neuroprotetor contra os efeitos negativos do estresse, além de ser um método viável para proteger os mecanismos de aprendizagem e memória, considerados como impacto cognitivo negativo do estresse crônico no cérebro.  Cabe lembrar que, apesar de ser um estudo em animal, os pesquisadores encontraram resultados bastante interessantes sobre o papel benéfico do exercício em relação ao estresse.

Um outro estudo também conduzido por pesquisadores norte americanos, avaliou a relação entre depressão, estresse e dieta, e como estes fatores podem alterar a inflamação. A pesquisa envolveu 58 mulheres saudáveis (38 sobreviventes de câncer de mama e 20 controles demograficamente similares), com idade média de 53,1 anos, que receberam uma refeição rica em gordura saturada ou uma refeição com óleo de girassol. Os resultados mostraram que para as mulheres que não tinham um histórico de estresse recente (no dia anterior), os parâmetros inflamatórios avaliados foram maiores após a refeição com gordura saturada do que a refeição com alto teor de óleo de girassol.

Em contrapartida, entre as mulheres que tiveram um episódio estressante no dia anterior, essas diferenças desapareceram, porque os estressores aumentaram as respostas inflamatórias, fazendo com que ela se parecesse com as respostas da refeição com gordura saturada.

Além disso as mulheres com história de depressão tiveram respostas pós-prandiais de pressão arterial mais elevadas do que aquelas sem histórico semelhante. Portanto, os dados mostram como os fatores estressores recentes e o histórico de depressão podem sobressair por meio de alterações metabólicas, promovendo respostas inflamatórias e aterogênicas.

Preocupante, não?

Saber que o estresse pode levar a doenças é um fato que nos faz refletir sobre a nossa vida e o que podemos melhorar para diminuirmos os fatores estressantes.

Por isso, a medicina do estilo de vida nos leva a pensar também nas práticas que podemos incorporar no nosso dia a dia, como o esporte, a meditação, a espiritualidade, cozinhar a própria refeição, para que possamos encontrar o nosso próprio caminho de bem estar. E é isso que estamos discutindo ao longo de todo esse mês. Se você ainda não leu os artigos anteriores, corre lá e confira as dicas para você refletir como você pode colocar em prática!

 

 

 

Referências bibliográficas:

 

Miller, R. M., Marriott, D., Trotter, J., Hammond, T., Lyman, D., Call, T., … Edwards, J. G. (2018). Running exercise mitigates the negative consequences of chronic stress on dorsal hippocampal long-term potentiation in male mice. Neurobiology of Learning and Memory, 149, 28–38.doi:10.1016/j.nlm.2018.01.008

 

Kiecolt-Glaser, J. K.; Fagundes, C. P.; Andridge, R.; Peng, J.; Malarkey, W. B.;Habash, D.; Belury, M. A. Depression, daily stressors and inflammatory responses to high-fat meals: when stress overrides healthier food choices. Molecular Psychiatry, volume 22, pages476–482 (2017).

Anjos, D. R. dos. Et al. Estresse: fatores desencadeantes, identificação e avaliação de sinais e sintomas no enfermeiro atuante em UTI neonatal. Rev Inst Ciênc Saúde 2008;26(4):426-31.

Margis, R.; Picon, P.; Cosner, A. F.; Silveira, R. de O. Relação entre estressores, estresse e ansiedade. R. Psiquiatr. RS, 25′(suplemento 1): 65-74, abril 2003.

International Stress Management Association (Isma – Brasil). Disponível em: http://www.ismabrasil.com.br/

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