Estilo de vida na cidade de São Paulo

Na cidade de São Paulo, as mulheres idosas apresentaram uma maior prevalência de estilo de vida saudável.

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Já que estamos falando sobre estilo de vida, é importante abordarmos os dados e estudos realizados em nosso país.

Por isso, trouxemos hoje, um artigo que analisou o estilo de vida de adolescentes, adultos e idosos no Município de São Paulo a partir de variáveis demográficas e socioeconômicas.

O estudo foi realizado a partir de dados do Inquérito de Saúde no Município de São Paulo, o ISA-Capital, 2008. Para avaliação do estilo de vida, os pesquisadores consideraram a atividade física, o consumo alimentar, o tabagismo, o consumo abusivo e dependência de álcool, de acordo com as recomendações e as variáveis foram analisadas segundo cada fase da vida (adolescentes, adultos e idosos).

E como anda o estilo de vida da população da cidade de São Paulo?

Segundo os dados da pesquisa, a prevalência de estilo de vida saudável foi maior entre os idosos e menor entre os adolescentes (36,9% entre idosos, 15,4% entre adultos e 9,8% entre adolescentes), apresentando também, uma diferença entre os sexos (maior no sexo feminino entre idosos e adultos).

Além disso, os resultados mostraram que o consumo alimentar foi o principal responsável pelo estilo de vida não saudável, mostrando a importância de intervenções dietéticas para a promoção do estilo de vida saudável, sobretudo, através de uma alimentação adequada.

Segundo os autores, a maior prevalência de estilo de vida saudável estar entre os idosos pode ser explicado por diferentes motivos, entre eles, pela maior preocupação com a saúde em consequência do surgimento de doenças ou agravos, o que resulta em uma adoção de hábitos mais saudáveis.

Já a possível explicação da menor prevalência de estilo de vida saudável estar entre os adolescentes reside na adoção de hábitos sedentários e de consumo alimentar inadequado, os quais incluem maior tempo sentado e um alto consumo de alimentos processados, presente em grande parte da população mais jovem.

Outros resultados encontrados pelos pesquisadores também são bem interessantes, sobretudo, na análise de estilo de vida e variáveis demográficas e socioeconômicas, como por exemplo, a maior prevalência de estilo de vida saudável entre as mulheres (entre os adultos e idosos). Isso se explica, pelo fato dos homens serem mais vulneráveis às doenças e morrerem mais precocemente do que as mulheres, por não buscarem cuidados de atenção primária à saúde, ligados a atividades preventivas, o que inclui atividades relacionadas à promoção de um estilo de vida mais adequado.

Já a escolaridade, definida em anos de estudos, apresentou uma associação significativa com o estilo de vida, sendo que, entre os idosos, quanto menor a escolaridade, maior a prevalência de estilo de vida saudável. Já entre os adultos, as maiores prevalências de estilo de vida saudável estavam tanto entre aqueles com mais anos de estudos como dentre aqueles com menos anos de estudos, não apresentando um padrão claro o que contraria dados já apresentados na literatura de uma determinação social.

Para os autores, as escolhas de estilo de vida são comportamentos individuais que envolvem escolhas pessoais e, por isso, o estilo de vida relacionado à saúde também pode ser visto como consequência de uma escolha ou responsabilidade individual, e não como reflexo de uma contextualização social.

De qualquer maneira, os dados evidenciam que na cidade de São Paulo, o estilo de vida saudável mais prevalente entre os idosos indica caminhos e possibilidades de estudos e práticas, trazendo sobretudo, a abordagem da medicina do estilo de vida e a consciência individua e coletiva para as práticas saudáveis de vida.

 

Referências bibliográficas:

Ferrari, T. K.; Cesar, C. L. G.; Alvez, M. C. G. P.; Barros, M. B. de A.; Goldbaum, M.; Fisberg, R. M. Estilo de vida saudável em São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública 2017; 33(1).

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