Escolhas alimentares: o que determina o comportamento?

As decisões alimentares são multifatoriais e envolvem diferentes componentes.

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Discutir escolhas alimentares é uma questão bastante complexa, uma vez que envolve aspectos que estão relacionados ao comportamento.

Para começar, a própria definição de comportamento alimentar já é, por sua vez, bastante densa, atravessando áreas como a psicologia e a sociologia. Conforme propõem Alvarenga e Koritar (2015), esse termo é utilizado para expressar qualquer tipo de construto relacionado à alimentação, tais como: consumo, modo de comer, onde comer e como comer.

Embora só mais recentemente a nutrição considere o comportamento alimentar como chave para o entendimento das escolhas alimentares e condutas nutricionais, as discussões acerca do tema já são documentadas há algum tempo.

Em 2009, o Annual Behaviour Medicine publicou um artigo intitulado “Constructing Food Choice Decisions”, no qual, desenvolveram um modelo de processo indutivo de escolha de alimentos que organizou uma ampla gama de fatores e dinâmicas envolvidas nos comportamentos alimentares.

Os autores utilizaram as perspectivas de definição social construcionista, ou seja, aquelas que se atentam aos processos cotidianos, e assim, chegaram ao modelo de procedimento de escolha de alimentos:

Como se observa, o modelo inclui (1) eventos e experiências do ciclo de vida, que estabelecem uma trajetória de escolha de alimentos através de transições, pontos de mudança, tempo e contextos; (2) influência nas escolhas alimentares que incluem ideais culturais, fatores pessoais, recursos, fatores sociais e contextos atuais; e (3) um sistema pessoal que desenvolve valores de escolha de alimentos, negocia e os equilibra, classifica alimentos e situações e forma/revisa estratégias, roteiros e rotinas de escolha de alimentos.

Por exemplo: se um indivíduo que desde criança consumiu pão com café no café da manhã (1), ao longo da vida, teve contato com conhecimento e orientação nutricional (2), passou a alterar seu café da manhã, com novos alimentos (3). Portanto, se permitir experiências alimentares novas, como fazem os “consumidores aventureiros”, pode ser um fator chave nesse processo.

As partes do modelo interagem dinamicamente para a tomada de decisões, levando a comportamentos alimentares, uma vez que, nenhuma teoria isolada e única pode explicar completamente a escolha final no comportamento alimentar.

Portanto, as decisões das escolhas alimentares são multifatoriais e envolvem diferentes componentes, mudanças no tempo pessoal e histórico, e são específicas de cada situação, de modo que nenhuma perspectiva, teoria, estrutura ou modelo pode capturar adequadamente a complexidade total dos comportamentos alimentares.

Nesse sentido, o tema das escolhas alimentares é verdadeiramente transdisciplinar e precisa incorporar, integrar e desenvolver novas perspectivas.

Como é um tema bastante amplo e complexo, vamos continuar trazendo e discutindo a temática aqui no portal. Estamos só começando!

 

Ps. Lembre-se sempre sobre a importância de realizar acompanhamento com nutricionista para individualizar seu plano alimentar e otimizar suas necessidades específicas.

 

Referências bibliográficas:

Sobal, J.; Bisogni, C. A. Constructing Food Choice Decisions. Ann. behav. med. (2009) 38 (Suppl 1):S37–S46.

Alvarenga, M.; Koritar, P. Atitude e comportamento alimentar – determinantes de escolhas e consumo. In: Alvarenga, M.; Figueiredo, M.; Timerman, F.; Antonaccio, C. (org.). Nutrição comportamental. Barueri, SP: Manole, 2015.

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