Doenças cardiovasculares e medicina do estilo de vida: importantes evidências

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A manutenção de um estilo de vida saudável entre as mulheres jovens pode reduzir substancialmente a carga de doenças cardiovasculares.

Estamos discutindo ao longo do mês, os diferentes temas que estão envolvidos na prática da medicina do estilo de vida. E já sabemos que o estilo de vida está envolvido intrinsecamente na nossa saúde.

Mas será que também tem benefícios para as doenças?

Segundo uma pesquisa publicada em dezembro de 2018, sim! E apresenta benefícios para uma das doenças com maior importância nos dias atuais, as doenças cardiovasculares.

Isso porque, a prática de atividade física regular, uma boa nutrição, um bom controle do peso e não fumar cigarros demonstraram uma redução significativa no risco de doenças cardiovasculares.

Em um estudo publicado pelo Journal of the American College of Cardiology, os pesquisadores buscaram estimar a proporção de casos de doença coronariana e fatores de risco clínicos cardiovasculares (DCV) entre mulheres jovens que podem ser atribuídos à baixa adesão a um estilo de vida saudável.

No estudo, foram incluídas 88.940 mulheres com idades entre 27 a 44 anos no início do Nurses’ Health Study II, que foram seguidas de 1991 a 2011.

O que foi adotado como estilo de vida saudável? Não fumar, ter um IMC (Índice de Massa Corporal) normal, praticas 2,5 horas ou mais de atividade física por semana, assistir televisão menos de 7 horas na semana, ter um percentual de 40% no Índice de Alimentação Saudável Alternativa 2010 e ingerir 0,1 a 14,9 gramas de álcool por dia.

E os resultados?

Ao longo dos 20 anos de acompanhamento, as mulheres não fumantes, que apresentaram um IMC saudável, com prática de exercícios e dieta saudável foram associadas a um menor risco de doença coronariana, bem como, à redução do risco de um ou mais fatores de risco clínicos para DCV, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão e hipercolesterolemia.

Além disso, 46% dos casos clínicos de fatores de risco para DCV foram atribuídos a um estilo de vida ruim. Já as mulheres que se engajaram em todas as seis escolhas de estilo de vida saudável tiveram um risco 92% menor de doença coronariana e 66% menor de um dos fatores de risco clínico para doença cardiovascular (diabetes tipo 2, hipertensão e hipercolesterolemia).

Ou seja: o estudo mostrou que a prevenção através da manutenção de um estilo de vida saudável entre as mulheres jovens pode reduzir substancialmente a carga de DCV.

A Associação Americana de Cardiologia (American Heart Association) estima que apenas 5% dos indivíduos seguem todos esses fatores de estilo de vida como componentes de uma estratégia para alcançar a saúde cardiovascular “ideal”.

E qual seria então o grande desafio?

O grande desafio está principalmente para os profissionais de saúde, incorporar mais essas informações às práticas cotidianas da medicina e saúde de forma geral. Portanto, mais uma vez, é importante enquanto profissionais da saúde, que possamos adotar as práticas da medicina do estilo de vida no nosso cotidiano e assim, envolver e incentivar ainda mais nossos pacientes.

Isso porque, os enormes efeitos potenciais da mudança de comportamento de saúde no contexto da saúde pública, fornecem ampla motivação para o conceito de medicina do estilo de vida. E assim, o incentivo a eliminar o consumo de tabaco, moderar o consumo de álcool, aumentar a atividade física, melhorar a dieta, o sono e o bem-estar emocional e mental podem sim serem condutas adotadas pelos sistemas de saúde. A implementação efetiva da medicina do estilo de vida deve ser uma prioridade dentro das mudanças necessárias nos atuais sistemas de saúde e políticas públicas de saúde.

Mas, antes de tudo, é importante fazermos a nossa parte! O que você já mudou no seu estilo de vida? Conta pra gente!

 

Referências bibliográficas:

 

Chomistek, A. K., Chiuve, S. E., Eliassen, A. H., Mukamal, K. J., Willett, W. C., & Rimm, E. B. (2015). Healthy Lifestyle in the Primordial Prevention of Cardiovascular Disease Among Young Women. Journal of the American College of Cardiology, 65(1), 43–51.doi:10.1016/j.jacc.2014.10.024

Rippe, J. M. Lifestyle Strategies for Risk Factor Reduction, Prevention, and Treatment of Cardiovascular Disease. Am J Lifestyle Med. 2018 Dec 2;13(2):204-212. doi: 10.1177/1559827618812395.

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