Doença Inflamatória Intestinal e plant based diet: existem evidências?

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Dietas a base de plantas, têm sido apontada como uma possibilidade para Doença Inflamatória Intestinal, por sua ação benéfica sobre a microbiota intestinal.

Doença inflamatória intestinal (DII) é um termo que engloba doenças como a Retocolite Ulcerativa Idiopática (RCUI) e a Doença de Crohn (DC), que tem como características serem recorrentes e a característica principal é o processo inflamatório crônico.

Embora a causa ainda não esteja bem estabelecida, os estudos apontam que pode estar relacionada a resposta imunológica anormal à microbiota bacteriana induzindo a inflamação. Sua prevalência tem aumentado rapidamente nos países industrializados na segunda metade do século XX.

Isso porque, o estilo de vida ocidental tem sido investigado como um dos principais fatores ambientais impulsionadores do aumento das DII.

Mas e como a alimentação pode atuar?

Estudos epidemiológicos têm indicado que dietas ricas em gordura animal e baixa em frutas e legumes são o padrão alimentar mais comum associado a um aumento do risco de DII

Qual seria então a dieta mais adequada para as DII?

Ainda não existem evidências científicas fortes que sustentem qual dieta seria mais indicada, embora já se tenha muitas discussões a respeito das dietas low FODMAP (Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Polióis fermentáveis), dietas com protocolo para doenças auto-imunes, dietas anti-inflamatórias e plant based diet.

De forma geral, os indivíduos que apresentam DII são orientados a consumir uma dieta equilibrada, evitando alimentos que notadamente agravam os sintomas.

No entanto, as dietas ricas em açúcares e gorduras, são reconhecidamente como pró-inflamatórias e, em contrapartida, têm aumentado o destaque das dietas a base de plantas, por serem anti-inflamatórios e assim, terem uma ação benéfica sobre a microbiota intestinal.

Pesquisadores japoneses desenvolveram um sistema de pontuação para avaliar a adesão a dieta plant based em pacientes japoneses com DII. Oito itens foram considerados preventivos para DII (legumes, frutas, leguminosas, batata, arroz, sopa missô, chá verde e iogurte natural), enquanto oito itens são considerados fatores de risco para DII (carne picada ou processada, queijo/manteiga/margarina, doces, refrigerantes, álcool, pão e peixe).

Segundo os pesquisadores, plant based diet é responsável por normalizar a evacuação em pacientes com constipação e induzir fezes normais em pacientes com diarreia.

No entanto, fazem uma importante consideração de que a recomendação de muitos especialistas é de evitar dietas com fibras na fase ativa da doença, enquanto a experiência obtida por eles é de que a plant based diet, que contém uma quantidade elevada de fibras, não apresentou efeitos adversos para os pacientes acompanhados. Mas, o nível de evidência das observações clínicas realizadas é baixo, portanto, salientam a importância de estudos maiores, melhor controlados para validar os resultados da pesquisa.

 

 

Referências bibliográficas:

Chiba, M.; Ishii, H.; Komatsu, M. Recommendation of plant-based diets for inflammatory bowel disease. Transl Pediatr 2019;8(1):23-27.

Zaltman, C. Doença inflamatória intestinal: qual a relevância da doença no Brasil? Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(5):992-993, mai, 2007.

Maranhão, D. D. de A.; Vieira, A.; Campos, T. Características e diagnóstico diferencial das doenças inflamatórias intestinais. JBM, jan/fev, 2015, vol., 103 , n°1.

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