Depressão e ansiedade: do mal do século à preocupação aumentada na pandemia!

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Se tem um período que vai ficar marcado na história das nossas vidas, sem dúvida será o de agora. Estamos vivendo uma rotina totalmente nova, na qual ninguém estava preparado ou muito menos esperando. Toda essa mudança no nosso estilo de vida está impactando não apenas os nossos hábitos alimentares, mas também as nossas emoções. O custo dessas privações e incertezas afetam diretamente nossa saúde mental.

Segundo um artigo publicado na Proceedings of the Nutrition Society, as doenças mentais estão entre as principais causas de incapacidade no mundo e, de forma geral, podem estar presentes em até um quinto da vida de um indivíduo acometido por estas doenças.

De acordo com a publicação, os estudos relacionados a psiquiatria nutricional fornecem evidências de como a qualidade da dieta se constitui em um fator de risco modificável para as doenças mentais. Isso mesmo! Essa nova área de pesquisa investiga como a alimentação pode atuar na prevenção ou como coadjuvante ao tratamento farmacoterápico nas doenças mentais.

Essas novas evidências apontam que padrões alimentares saudáveis estão inversamente associados à probabilidade de estados depressivos, ou seja, quanto maior o consumo desses alimentos, menor o risco de ocorrência da desordem mental.

Mas qual seria então um padrão de dieta benéfico para auxiliar na saúde mental?

Aquele que nós tanto falamos por aqui: as dietas caracterizadas pelo alto consumo de vegetais, frutas, cereais integrais, grãos, nozes e sementes, moderado em leites, derivados, aves, ovos e peixes. As carnes vermelhas e alimentos processados podem ser consumidos de forma limitada.

Na outra ponta, as dietas pouco saudáveis, com alto teor de gordura e alto teor de açúcar estão positivamente associadas aos transtornos mentais comuns, como a depressão e ansiedade, ou seja, quanto maior o consumo desses alimentos, maior o risco de desenvolver tais doenças.

Mas, o que explica essa relação entre o padrão de alimentação e as desordens mentais?

Segundo a publicação, alguns mecanismos estão envolvidos:

  • Processo inflamatório sistêmico, de baixo grau, ocasionados sobretudo pelo estilo de vida: como estresse psicológico, tabagismo, obesidade, falta de sono e, má alimentação
  • Estresse oxidativo, responsável por danos nas células, que está envolvido em diferentes doenças crônicas, como as doenças cardiovasculares, o câncer, e também, as doenças mentais, como depressão e ansiedade.
  • Plasticidade neuronal, que é a capacidade do cérebro de desenvolver novas conexões entre os neurônios, garantindo assim, o pleno funcionamento neurológico do indivíduo. O BDNF (nosso tão estudado), está envolvido nessa capacidade de otimizar um melhor funcionamento do cérebro, mas, em indivíduos com desordens mentais, pode estar diminuído quando associado a um padrão de dieta com alimentos menos saudáveis;
  • Eixo intestino – cérebro, pela modulação da microbiota intestinal e sua relação com a resposta ao estresse e a neurotransmissão da serotonina, substância essencial para a saúde mental, envolvida na regulação do sono, apetite, funções intelectuais e, humor!
  • Alterações nas mitocôndrias, que são naturalmente responsáveis pela produção de energia em quando tem sua função prejudicada, estão associadas a redução e comprometimento da distribuição de energia, relacionando-se assim com as desordens mentais.

 

E isso nos leva a pensar que embora os mecanismos pelos quais essas alterações acontecem ainda não estejam totalmente esclarecidos, o caminho nós já temos: as dietas a base de vegetais estão muito mais relacionadas à saúde e bem estar do que nós mesmos imaginamos. Confira nosso ebook sobre alimentação baseada em vegetais.

E se você está aproveitando o período de isolamento social para descobrir novas habilidades, que tal se arriscar na preparação de refeições? Faz e conta pra gente!

 

Referências bibliográficas:

Marx, W., Moseley, G., Berk, M., & Jacka, F. Nutritional psychiatry: the present state of the evidence. Proceedings of the Nutrition Society, 76(04), 427–436, 2017.

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