Cozinhar refeições em casa: benefícios comprovados?

O estudo mostra que o consumo de refeições preparadas em casa, foi associado a uma dieta mais saudável, e a frequência com que é consumida, apresentou uma associação positiva com indicadores de saúde cardíaca, como peso e percentual de gordura adequados.

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Como dissemos no artigo anterior, o incentivo a prática culinária é um dos preceitos da medicina do estilo de vida.

Além dos benefícios psicológicos e emocionais que essa prática envolve, como por exemplo, envolver a família no ambiente, interagir com os demais membros familiares ou mesmo, o ato de cozinhar para receber amigos, familiares, cria memórias afetivas importantes. Não é em vão que todos nós temos recordações afetivas importantes das refeições…. a comida especial da avó, da mãe, da tia…. não é mesmo?!

Mas você sabia que o fato de preparar refeições em casa traz benefícios para saúde? Isso mesmo!

Vejam que interessante.

Um estudo realizado no Reino Unido envolvendo 11.396 adultos com idade entre 29 e 64 anos avaliou se a frequência do consumo de refeições caseiras apresentava associação com a qualidade da dieta e à saúde cardiometabólica. A qualidade da dieta foi avaliada tendo como parâmetro as seguintes dietas: Dieta do Mediterrâneo e dieta DASH e consumo de frutas e vegetais. Para avaliação da saúde cardiometabólica foram utilizados o Índice de Massa Corporal (IMC), o percentual de gordura corporal, hemoglobina A1c (HbA1c), colesterol e hipertensão.

E quais foram os resultados? Existe mesmo benefício em preparar refeições em casa?

Cozinhar refeições em casa com mais frequência foi associado a uma maior adesão as dietas DASH e do Mediterrâneo, a uma maior ingestão de frutas e vegetais e uma maior concentração de vitamina C no sangue.

Os indivíduos que relataram consumir refeições preparadas em casa por mais de cinco vezes na semana, consumiram mais frutas e mais vegetais em comparação com aqueles que relataram consumir menos de três vezes.

Além disso, o consumo mais frequente de refeições preparadas em casa foi associado a uma maior probabilidade de ter um IMC normal e um percentual de gordura adequado. Já quem declarou consumir refeições preparadas em casa mais de cinco vezes na semana, têm 28% menos chances de ter excesso de peso e 24% menos chances de ter excesso de gordura corporal.

Portanto, o estudo mostra que o consumo de refeições preparadas em casa, foi associado a uma dieta mais saudável, e a frequência com que é consumida, apresentou uma associação positiva com indicadores de saúde cardíaca, como peso e percentual de gordura adequados.

E o que explica esses resultados?

Segundo os autores, o consumo mais frequente de refeições preparadas em casa e os benefícios dietéticos podem ser explicados pelos métodos de preparação dos alimentos serem mais saudáveis, pela maior variedade de alimentos e refeições e pelo consumo de grupos alimentares mais saudáveis.

Além disso, outros benefícios podem estar relacionados, como o consumo de porções menores e o planejamento das refeições, como o horário do dia em que as refeições são consumidas.

Mas, existe muito ainda a ser descoberto pela ciência, principalmente, estudos a longo prazo para identificar relações de causa entre dieta e saúde, para então, determinar abordagens mais eficazes para incentivar a preparação de refeições caseiras e que estas, possam fazer parte de iniciativas de saúde pública.

Portanto, embora ainda existam muitos caminhos a serem trilhados pela ciência, a prática de preparar as refeições em casa deve ser sempre encorajada pelos profissionais de saúde e praticada por todos.

Vamos fazer a nossa parte? Já pensou no que você vai preparar esse final e semana? Poste seu prato no Instagram e marque a gente! @dracarolinapimentel.

 

Referências bibliográficas:

Frequency of eating home cooked meals and potential benefits for diet and health: cross-sectional analysis of a population-based cohort study Susanna Mills, Heather Brown, Wendy Wrieden, Martin White, Jean Adams. Int J Behav Nutr Phys Act. 2017; 14: 109. Published online 2017 Aug 17. doi: 10.1186/s12966-017-0567-y.

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