COVID-19, nutrição e imunidade: o que a ciência já sabe?

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Covid-19

Estamos há meses convivendo com a COVID-19 e, nesse tempo, ainda temos muito mais perguntas do que respostas. Afinal, trata-se de um novo vírus e com uma velocidade alta de contágio que pegou o mundo de surpresa. No entanto, felizmente a literatura científica já tem avançado nas pesquisas, e hoje vamos falar sobre um importante artigo voltado para a nutrição, publicado em outubro na publicação European Journal of Nutrition.

Como sempre frisamos, um estado nutricional saudável é fundamental para uma proteção imunológica eficiente. Nesse contexto, pesquisadores brasileiros da Universidade Federal Fluminense conseguiram relacionar alguns nutrientes a uma boa resposta contra o SARS-CoV-2, nome técnico do vírus.

De acordo com a revisão bibliográfica, micronutrientes e compostos bioativos podem desempenhar funções nas células do sistema imunológico que são essenciais para interromper a doença. Alguns elementos foram relacionados à inibição do vírus, estimulação das defesas ou reestruturação das  células e citocinas alteradas pelo vírus.

A seguir, listamos os principais micronutrientes citados no estudo e seu potencial benefício:

  • Vitamina A:  importante para o funcionamento adequado das células de defesa do sistema imunológico inato.
  • Vitamina B6: semelhante à vitamina A, participa da produção de anticorpos e da atividade das células de defesa chamadas natural killer
  • Vitamina B7: também chamada de biotina, participa da produção de energia pelas células. A deficiência da vitamina pode levar a distúrbios metabólicos e mudanças nas respostas do sistema imunológico e no processo inflamatório.
  • Vitamina B9: o chamado folato está envolvido na produção e metabolismo de anticorpos, possibilitando uma resposta suficiente ao antígeno (substância estranha, como o vírus).
  • Vitamina B12: contribui indiretamente para a produção e metabolismo de anticorpos.
  • Vitamina C: amplamente conhecida por suas propriedades antioxidantes e imunomoduladoras, capazes de proteger o sistema imune do estresse oxidativo.
  • Vitamina D: estimula a proliferação das células imunológicas, aumenta a síntese de superóxido (utilizados pelo sistema imunológico na destruição de microrganismos estranhos) e ajuda a proteger contra infecções causadas por patógenos.
  • Vitamina E: além do perfil antiinflamatório, é um importante composto antioxidante, protegendo as células contra os radicais livres (moléculas altamente instáveis e reativos, que podem causar doenças degenerativas de envelhecimento e morte celular).
  • Cobre: é um mineral que se acumula no local da inflamação. Assim como o zinco, o cobre é considerado um eliminador de radicais livres, capaz de manter um equilíbrio antioxidante intracelular e proteger o organismo.
  • Ferro: está envolvido na produção e ação de citocinas inflamatórias (que aceleram o processo inflamatório para lidar com infecções e também para iniciar o processo de cicatrização) e também ajuda a matar o patógeno que infecta o sistema imunológico.
  • Magnésio: em humanos, está associado à proteção do DNA contra danos oxidativos.
  • Selênio: esse mineral é essencial para a atividade das selenoproteínas, importantes para a defesa antioxidante.
  • Zinco: um importante agente antioxidante e antiinflamatório.

De forma geral, os autores concluem que uma dieta saudável, variada e à base de vegetais e frutas tem um papel importante para garantir o equilíbrio do sistema imunológico e a consequente resposta imune ao SARS-CoV-2. Dessa forma, o consumo adequado desses elementos deve fazer parte de um plano de  intervenção não farmacológica..

Referências bibliográficas:

Arruda de Souza Monnerat, J., Ribeiro de Souza, P., Monteiro da Fonseca Cardoso, L. et al. Micronutrients and bioactive compounds in the immunological pathways related to SARS-CoV-2 (adults and elderly). Eur J Nutr (2020). https://doi.org/10.1007/s00394-020-02410-1

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