Consumo de ômega-3 em dietas vegetarianas: é suficiente?

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Cada vez mais as evidências científicas apontam os benefícios da dieta vegetariana para a saúde. A redução de mortalidade em várias causas, como morte por doenças cardiovasculares, diminuição na incidência geral de câncer são alguns desses benefícios. Mas como em toda a dieta que excluí algum grupo de alimentos, é importante nos atentarmos às carências nutricionais.

O ômega-3, por exemplo, é um ácido graxo poli-insaturado, considerado essencial e, portanto, indispensável em qualquer dieta. Ele pode ser encontrado em 3 frações: ácido alfa-linolênico (ALA), presente em alimentos de origem vegetal, os ácidoseicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA), presentes nos alimentos de origem animal. O EPA e o DHA apresentam funções no organismo, enquanto o ALA pode ser convertido nos demais, porém, em taxas extremamente baixas e depende de outros fatores como, por exemplo, o consumo de ácido linoléico (AL), um tipo ômega-6, que compete pela mesma via metabólica de conversão do ALA.

 

Mas será que a conversão de ALA para EPA e DHA é suficiente na dieta vegetariana?

 

Foi esse o tema do artigo publicado mês passado na revista Food & Nutrition Journal. Trata-se de um estudo transversal, realizado com 9 mulheres ovolactovegetarianas da cidade de São Paulo. Os pesquisadores avaliaram o consumo alimentar das participantes, por meio de recordatório de 24 horas e calcularam o consumo de ALA, EPA e DHA individualmente e aplicaram as taxas máximas de conversão encontradas na literatura de ALA para EPA (12%) e de ALA para DHA (1%).

 

E quais foram os resultados encontrados?

 

Ao avaliar o consumo de ALA na dieta dessas participantes, a quantidade média de consumo foi de 2,55g, superior à recomendação de 1,1g/dia do Institute of Medicine para mulheres acima de 14 anos.

Porém, ao aplicar as taxas de conversão, os pesquisadores notaram que o consumo médio de EPA foi de 326mg e 65,5mg de DHA, totalizando 391,5mg na somatória EPA+DHA.

Os autores compararam, então, esses valores com as recomendações da European Food Safety Authority (EFSA), que recomenda que a somatória de EPA e DHA seja de, pelo menos 250 a >600mg/dia, sendo 250mg/dia apenas de DHA sozinho e as recomendações do comitê científico da American Heart Association (AHA), que preconiza o consumo de 500mg/dia de EPA e DHA juntos.

A conclusão do estudo, segundo os autores, é que o consumo de EPA e DHA não é suficiente na dieta vegetariana e que o planejamento alimentar para esses indivíduos deve ser bem avaliado, levando esses nutrientes em consideração. Os autores sugerem algumas soluções, entre elas, a suplementação de DHA a base de microalgas, que tem demonstrado efeitos positivos no aumento dos níveis plasmáticos do nutriente.

 

O artigo na íntegra pode ser acessado em: https://www.gavinpublishers.com/assets/articles_pdf/1591773964article_pdf1007637393.pdf

 

Referências bibliográficas:

Kitzinger, L.; Simomura, V. L.; Pimentel, C. V. M. B. Omega-3 Consumption Assessment in Vegetarian Diets. Food Nutr J. 5: 218, 2020.

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