Consumo de amêndoas e microbiota intestinal

O consumo de amêndoas induziu mudanças na microbiota intestinal e o grau de processamento de amêndoas impactou no aumento de diferentes gêneros bacterianos, evidenciando assim, que tipos diferentes de processamento do alimento podem alterar de diferentes maneiras a microbiota.

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A microbiota intestinal tem sido alvo de muitas pesquisas e discussões na área da saúde, nos últimos anos. Isto se deve ao seu importante papel na modulação de diferentes doenças e por isso pode ser alvo terapêutico no tratamento e prevenção dessas mesmas.

Inúmeros compostos bioativos já foram apontados como benéficos à composição da microbiota intestinal, no entanto, estudos que analisam o alimento in natura e os diferentes tipos de processamento que este pode sofrer, ainda são escassos.

Um estudo recente publicado pela revista Nutrients, analisou se o processamento das amêndoas e suas diferentes formas de consumo (in natura – inteiros, torradas inteiras, picadas e na forma de manteiga), têm impacto na microbiota (por meio de análise fecal) em humanos. O estudou acompanhou 18 indivíduos saudáveis por três semanas, submetidos a cinco dietas diferentes. Os grupos foram randomizados nas seguintes dietas: (1) zero porções de amêndoas/dia (controle); (2) 1,5 porções (42g/dia) de amêndoas cruas inteiras; (3) 1,5 porções (42g/dia) de amêndoas inteiras torradas; (4) 1,5 porções (42g/dia) de amêndoas picadas e torradas; (5) 1,5 porções (42g/dia) de manteiga de amêndoas.

Os resultados da pesquisa mostraram que o consumo de amêndoas induziu mudanças na composição da microbiota intestinal e o grau de processamento de amêndoas impactou de maneira diferente no número de gêneros bacterianos fecais. Quando comparados ao grupo controle, as quatro intervenções dietéticas, revelaram que as amêndoas picadas aumentaram os níveis de Lachnospira, Roseburia e Oscillospira em relação ao controle, enquanto as amêndoas cruas inteiras aumentaram o Dialister e as amêndoas inteiras torradas aumentaram o número de Lachnospira. Já em relação ao consumo da manteiga de amêndoa, não houve diferença. Os autores concluem que os diferentes tipos de processamento do alimento analisado podem alterar a microbiota e esta, pode contribuir por meio de mecanismos subjacentes para os efeitos benéficos na saúde.

Que o consumo de amêndoas é importante para a prevenção e tratamento de algumas doenças, como as cardiovasculares, alterações lipídicas, controle do índice glicêmico, controle da saciedade, não é novidade, assim como, na prática clínica, a orientação é de inserir este alimento na rotina dos pacientes. No entanto, este estudo mostra novas possibilidades, embora ainda com algumas limitações. Vamos aguardar por estudos maiores e com melhores níveis de evidência científica.

 

Referência bibliográfica:

HOLSCHER, H. D. TAYLOR, A. M.; SWANSON, K. S.; NOVOTNY, J. A.; BAER, D. J. Almond Consumption and Processing Affects the Composition of the Gastrointestinal Microbiota of Healthy Adult Men and Women: A Randomized Controlled Trial. Nutrients 2018, 10, 126.

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