Como a rotulagem nutricional pode incentivar escolhas mais saudáveis

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Rotulagem

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova norma sobre rotulagem nutricional de alimentos embalados. As medidas exigem mais clareza e legibilidade das informações nutricionais presentes no rótulo dos alimentos e têm como objetivo auxiliar o consumidor a realizar escolhas alimentares mais conscientes.

Desde 2016, cinco países (Chile, Israel, México, Peru, e Uruguai) também aprovaram uma nova legislação exigindo advertências de nutrientes com o objetivo de lidar com a obesidade e outras doenças crônicas relacionadas à alimentação.

Essas políticas se concentram em produtos com níveis excessivos de nutrientes prejudiciais à saúde e exigem que exibam alertas como “AVISO: alto teor de açúcar adicionado” ou “AVISO: rico em sódio”.

Por aqui, as principais mudanças serão:

  • Rotulagem nutricional frontal: o alto teor de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio deverá ser identificado por meio de um desenho de lupa aplicado na frente do produto, na parte superior.

●    Tabela de informação nutricional: a tabela passa a ter apenas letras pretas num fundo branco. Além disso, passará a ser obrigatória a identificação de açúcares totais e adicionais, a declaração do valor energético e nutricional por 100g ou 100 ml (para ajudar na comparação de produtos) e o número de porções por embalagem.

  • Alegações nutricionais: alimentos com rotulagem frontal de açúcares adicionados, gorduras e sódio não poderão ter alegações nutricionais sobre esses componentes, ou seja, a embalagem não poderá ter nada que sugira que eles possuem propriedades nutricionais benéficas.

Como sabemos, dietas não saudáveis, caracterizadas pelo consumo excessivo de alimentos e bebidas açucaradas aumentam o risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas. Dessa forma, uma política de advertência de nutrientes é uma resposta de bom senso a esses números que só crescem. Isso é o que acreditam duas cientistas da Universidade de Harvard, cujo artigo foi recentemente publicado a prestigiada revista JAMA.

Segundo as pesquisadoras, seus estudos, que carregam um excelente nível de evidência científica, mostram que avisos sobre informações de alimentos e bebidas açucaradas ajudam as pessoas a compreender quais os produtos não são saudáveis e a escolherem opções mais saudáveis.

Além disso, o artigo reforça a eficácia dos avisos em países que já implementaram políticas de alerta. Por exemplo, no Chile, a compra de bebidas açucaradas per capita diminuiu cerca de 24% em 1 ano após a implementação das advertências (de 122 ml/dia em 2015 – 2016 para 86 ml/dia em 2017).

Ou seja, a nova legislação da Anvisa pode ser um passo importante para garantir o acesso imparcial às informações nutricionais e assim, auxiliar os consumidores em melhores escolhas que irão refletir em sua saúde e bem-estar. Esperamos que logo possamos conferir os desdobramentos positivos dessa norma!

Para saber como a mudança gradativa será implementada e quais serão todos os critérios modificados, acesse o site: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/aprovada-norma-sobre-rotulagem-nutricional.

Referências bibliográficas:

Anvisa. Anvisa aprova norma sobre rotulagem nutricional. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/aprovada-norma-sobre-rotulagem-nutricional. Acesso em: 28/10/2020.

Anvisa. Rotulagem Nutricional de Alimentos. Propostas de RDC e IN. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/aprovada-norma-sobre-rotulagem-nutricional/apresentacao-rotulagem-nutricional_19a.pdf. Acesso em: 28/10/2020.

HALL, M. G., & GRUMMON, A. H. Nutrient Warnings on Unhealthy Foods. JAMA, 2020. 

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