As doenças cardiovasculares e o diabetes do tipo 2 podem ser revertidos com mudança de estilo de vida

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Todos nós sabemos que uma boa alimentação é essencial para manter uma vida mais saudável e prevenir doenças, certo? E isso ganha ainda mais força quando falamos de doenças cardiovasculares e diabetes, pois alguns padrões de dietas impactam diretamente no agravamento ou na melhora dessas doenças.

Mas, quando pensamos em mudança de padrão de estilo de vida, precisamos abrir nosso leque e ir além do padrão dietético. E isso significa incorporar de fato as mudanças comportamentais que incluem hábitos de vida saudáveis.

Em um estudo publicado pela revista Diabetologia, os pesquisadores conduziram um ensaio clínico com alterações no estilo de vida de indivíduos com diabetes do tipo dois.
A intervenção foi desenvolvida da seguinte maneira: os pacientes receberam uma dieta controlada com três porções de vegetais, de modo que a ingestão total de energia foi de cerca de 600 kcal/dia. Para auxiliar os pacientes, eles receberam sugestões de receitas com vegetais, para ter uma variação na alimentação diária. Foram também incentivados a beber pelo menos 2 litros de água ou outras bebidas sem energia por dia e a manter seu nível habitual de atividade física.

Mas essas alterações foram suficientes para reduzir os níveis glicêmicos (de açúcar no sangue) nesses indivíduos?

Sim! Os resultados mostraram que ocorreu uma normalização da função das células beta e da sensibilidade à insulina hepática (responsáveis pela captação da glicose no sangue) no diabetes tipo dois foi alcançada apenas pela restrição energética da dieta, melhorando assim, os parâmetros alterados da doença nesses indivíduos. Ponto para a mudança no estilo de vida!

E as evidências não param por aí. Em relação as doenças cardiovasculares, um dos fatores de risco são as alterações no perfil lipídico, que são representados pelos níveis de colesterol (lipídeos) no sangue. Esses níveis, precisam estar controlados, caso contrário, podem contribuir para o surgimento das DCV.

Por isso, uma outra pesquisa publicada no periódico JAMA, recrutou 55 indivíduos com hiperlipidemia (aumento dos lipídeos sanguíneos). Os indivíduos foram então divididos em três grupos: 1) receberam uma dieta com baixo teor de gordura saturada, baseada em cereais de trigo integral moído e laticínios com baixo teor de gordura; 2) o grupo dois recebeu a mesma dieta anterior, mas juntamente ao tratamento medicamentoso com estatina (medicamento responsável por reduzir os níveis de lipídeos no sangue); 3) recebeu uma dieta com baixo teor de gordura saturada de laticínios e cereais integrais sem estatina ou uma dieta contendo fibras viscosas, esteróis vegetais, alimentos à base de soja e amêndoas . Cada tratamento durou 1 mês.

E então, qual foi o melhor tratamento? Sabe-se inegavelmente a importância que a intervenção medicamentosa possui em relação a alterações substanciais no perfil lipídico e, por isso, o médico deve avaliar a sua prescrição ou não. Mas esse estudo mostrou que dietas com baixo teor de gordura saturada incluindo alimentos ricos em fibras viscosas (por exemplo, aveia e cevada) e esteróis vegetais juntamente com sugestões para incluir alimentos à base de proteína vegetal (soja) e nozes (amêndoas), parecem reduzir os níveis de LDL-C de maneira semelhante à dose terapêutica inicial de uma estatina de primeira geração. Ou seja, as alterações dietéticas com este padrão alimentar, possui um papel semelhante a um medicamento para controlar colesterol.

Claro que as prescrições devem sempre ser individualizadas e consideradas pela equipe multiprofissional.

 

 

Referências bibliográficas:
JENKINS, D. A. Effects of a Dietary Portfolio of Cholesterol-Lowering Foods vs Lovastatin on Serum Lipids and C-Reactive Protein. JAMA, July 23/30,—Vol 290, No. 4, 2003.

LIM, E. L., HOLLINGSWORTH, K. G., ARIBISALA, B. S., CHEN, M. J., MATHERS, J. C., & TAYLOR, R. Reversal of type 2 diabetes: normalisation of beta cell function in association with decreased pancreas and liver triacylglycerol. Diabetologia, 54(10), 2506–2514, 2011.

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