Alimentação e efeitos na saúde

O consumo abaixo do ideal de grãos integrais e frutas e alto em sódio foi responsável por mais de 50% das mortes e 66% de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALYs), atribuíveis à dieta em 195 países.

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A alimentação é um dos fatores mais importantes da vida?

Segundo um estudo publicado no The Lancet, sim! A melhora da alimentação poderia prevenir uma em cada cinco mortes no mundo todo e uma dieta abaixo do ideal, é responsável por mais mortes do que qualquer outro risco global, incluindo o tabagismo.

Esse estudo representa um marco importante nos dias atuais.

Os pesquisadores conduziram uma avaliação sistemática dos padrões de consumo alimentar em 195 países e forneceram uma visão abrangente dos efeitos de maus hábitos alimentares sobre a saúde em nível populacional.

Os dados do estudo mostraram que os riscos dietéticos afetavam as pessoas independentemente da idade, sexo e desenvolvimento sociodemográfico do seu local de residência.

Embora os resultados mostraram uma variação do impacto de fatores dietéticos individuais entre os países, o consumo abaixo do ideal de três fatores dietéticos (grãos integrais, frutas e sódio) foi responsável por mais de 50% das mortes e 66% de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALYs), atribuíveis à dieta.

Em 2017, 11 milhões de mortes e 255 milhões de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade foram atribuídos a fatores de risco dietéticos, sendo que a a alta ingestão de sódio foi responsável por 3 milhões de mortes e 70 milhões de DALYs, o baixo consumo de grãos integrais representou 3 milhões de mortes e 82 milhões de DALYs e, o baixo consumo de frutas foi responsável por 2 milhões de mortes e 65 milhões de DALYs

Além disso, os autores discutem que embora o sódio, o açúcar e a gordura tenham sido o foco principal do debate sobre políticas alimentares nas últimas duas décadas, os resultados do estudo mostraram que os principais fatores de risco dietéticos para a mortalidade são as dietas ricas em sódio, pobres em grãos integrais, pobres em frutas, pobres em nozes e sementes, pobres em vegetais e pobres em ácidos graxos ômega-3; cada um representando mais de 2% das mortes globais.

Portanto, os autores também discutem que estes resultados trazem a tona uma discussão na contra-mão do que se tem feito até então. Os autores afirmam, portanto, que o caminho deve ser trabalhar com políticas públicas alimentares que tem como foco promover a ingestão de componentes da dieta que estão abaixo do nível ideal, uma vez que pode ter um efeito maior do que as políticas públicas segmentadas apenas em redução do consumo de açúcar e gordura.

Assim, se faz necessário, esforços globais coordenados para melhorar a qualidade da dieta humana e isso requer colaboração ativa de uma variedade de atores em todo o sistema alimentar, em níveis, global, nacional e regional, para melhorar a qualidade da alimentação.

 

 

Referências bibliográficas:

Afshin, A.  et al. ( GBD 2017 Diet Collaborators). Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990–2017: a systematic analysis forthe Global Burden of Disease Study 2017. The Lancet. Vol 393 May 11, 2019.

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