Tipos de gorduras dietéticas e mudança de peso a longo prazo

Diferentes tipos de gordura têm associações divergentes com mudanças de peso a longo prazo, sendo que nem todos estão associados ao ganho de peso.

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O consumo de gordura tem sido ao longo do tempo, alvo de diferentes estudos e, associado como causa de doenças, sobretudo, as doenças cardiovasculares. Por isso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia desenvolveu uma diretriz especialmente sobre este grupo de alimentos, de forma a orientar, a partir de evidências científicas, a recomendação e os limites de consumo.

Neste contexto, procuramos sempre trazer para discutirmos aqui no portal, temas relevantes e pertinentes a esse conteúdo. Pensando nisso, hoje vamos abordar um estudo publicado no The Journal of Nutrition que avaliou as associações entre os diferentes tipos de gordura e a mudança de peso a longo prazo em mulheres e homens norte-americanos.

Trata-se de um estudo de coorte, prospectivo dos Estados Unidos, que avaliou 121.335 mulheres e homens livres de diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e obesidade. A associação entre as alterações no consumo de diferentes tipos de alterações de gordura e o peso foi examinado ao longo de 4 anos. A ingestão dietética e peso corporal foram avaliados através de questionários validados.

Entre os principais resultados, os autores observaram que a ingestão do aumento de 5% em energia a partir de ácidos graxos saturados (AGS) e um aumento de 1% em energia a partir de gorduras-trans foram associados com um ganho de peso maior de 0,61 kg (IC 95%: 0,54, 0,68 kg) e 0,69 kg (95% IC: 0,56; 0,84 kg) por um período de 4 anos, respectivamente. Um aumento de 5% na energia do ácido graxo poliinsaturado (PUFA) foi associado com menor ganho de peso (-0,55 kg, IC 95%: -0,81, -0,29 kg). O aumento da ingestão de ácidos graxos monoinsaturados (MUFA) a partir das fontes de origem animal foi associado com ganho de peso de 0,29 kg (IC 95%: 0,25, 0,33 kg), sendo que o consumo de MUFA a partir de fontes vegetais não foi associado com o ganho de peso.

Para os autores, os resultados sugerem que diferentes tipos de gordura têm associações divergentes com mudanças de peso a longo prazo, sendo que nem todos estão associados ao ganho de peso. Especificamente, o aumento do consumo de PUFAs n-6 e n-3, bem como o de MUFA à base de plantas, em detrimento aos carboidratos, foi associado a um menor ganho de peso. Portanto, os autores defendem que modificar os tipos de gordura dietética sem reduzir a gordura total pode ajudar a mitigar o ganho de peso gradual que é comum durante a vida adulta.

Esses resultados fornecem mais evidências para apoiar a abordagem alimentar, como o aumento dos níveis de gorduras insaturadas de óleos vegetais, nozes, sementes e frutos do mar, em detrimento da gordura saturada de origem animal, e gordura trans de óleos parcialmente hidrogenados, o que podem assim, contribuir para a prevenção da obesidade e redução do risco de doenças crônicas.

Os achados, vão de encontro com outros resultados de artigos já publicados aqui, em que discutimos o papel do consumo de gorduras provenientes das “nuts”, por exemplo e o consumo de Ácidos Graxos Poli-insaturados e sua ação na Saúde Cardiometabólica.

Por isso, acompanhar o desenvolvimento da ciência e os novos estudos é fundamental para construirmos e apoiarmos nossas ações, com segurança.

 

 

 

Referência bibliográfica:

Liu, X., Li, Y., Tobias, D. K., Wang, D. D., Manson, J. E., Willett, W. C., & Hu, F. B. (2018). Changes in Types of Dietary Fats Influence Long-term Weight Change in US Women and Men. The Journal of Nutrition.

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