Plant based diet: Consumo de carboidratos por indivíduos obesos

O aumento da ingestão de carboidratos e fibras, como parte de uma dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras baseada em vegetais, está associada a efeitos benéficos sobre o peso, composição corporal e resistência à insulina.

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Um dos temas mais polêmicos atualmente diz respeito ao consumo de carboidratos entre a população e, de forma geral, a grande discussão envolve a questão de restringir seu consumo ou mantê-lo em níveis adequados dentro de um plano alimentar equilibrado. Ora são pulicados na literatura estudos que demonstram os benefícios de dietas com baixo percentual de carboidratos ora são apresentados resultados que reforçam a importância de mantê-los em uma dieta. Por isso, é importante iniciarmos aqui, uma discussão acerca dessa temática.

Um estudo publicado por uma das revistas mais importantes de nutrição, a Nutrients, os pesquisadores testaram o papel das mudanças na ingestão de carboidratos por meio de uma dieta à base de plantas com baixo teor de gordura, no peso corporal, na composição corporal e na resistência à insulina.

Trata-se de um estudo clínico, no qual os indivíduos (n=75) foram randomizados para seguir uma dieta baseada em vegetais ricos em carboidratos e baixo teor de gordura (vegan) (n = 38) ou para manter sua dieta atual (n = 37).

Foi solicitado ao grupo de intervenção que seguissem uma dieta vegana com baixo teor de gordura, composta de vegetais, grãos, legumes e frutas. Cada participante se reuniu por 1 hora com um nutricionista para estabelecer um plano de dieta apropriado. Posteriormente, os participantes compareceram a reuniões semanais de 1 hora com a nutrição e instrução culinárias conduzidas por um médico e um nutricionista e/ou um instrutor de culinária. Os participantes foram instruídos a evitar produtos animais e adicionar óleos. A ingestão diária prescrita de gordura foi de 20 a 30 g. Não havia limites para a ingestão de energia ou carboidratos. Os participantes que tiveram o padrão alimentar baseado em plantas foram convidados para as aulas semanais. Aos participantes do grupo de controle foi solicitado manter as dietas atuais, que incluíam carne e produtos lácteos, para o período de intervenção de 16 semanas. Para todos os participantes do estudo foi solicitado não alterar sua atividade física e continuar suas medicações pré-existentes durante o período do estudo, exceto quando modificados por seus médicos. Não foram fornecidas refeições. A composição corporal foi avaliada por meio de DEXA scan e a resistência à insulina foi avaliada com o índice Homeostasis Model Assessment (HOMA-IR).

Os resultados demonstraram que o aumento do consumo de carboidratos e fibra dietética, como parte de uma dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras, foi associado à redução do peso corporal, massa gorda e resistência à insulina em indivíduos com excesso de peso. Mudanças no consumo de carboidratos totais se correlacionaram negativamente com as mudanças no IMC e no volume de gordura visceral. Mudanças no consumo de carboidratos considerando percentuais da energia total se correlacionaram negativamente com as mudanças no IMC, massa gorda, volume de gordura visceral e HOMA-IR. A associação entre mudanças no consumo de carboidratos totais e mudanças na gordura visceral permaneceu significativa mesmo após o ajuste para mudanças no IMC, enquanto a associação com mudanças no HOMA-IR foi impulsionada principalmente por mudanças no IMC.

Mudanças no consumo de fibras totais e insolúveis foram negativamente associadas com mudanças no IMC, massa gorda e volume de gordura visceral. Além disso, mudanças no consumo de carboidrato correlacionaram-se negativamente com as mudanças no IMC e no volume de gordura visceral. Curiosamente, mudanças no consumo de lactose correlacionaram-se positivamente com as mudanças no IMC, massa gorda e HOMA-IR.

Portanto, os autores concluem a partir dos resultados encontrados que o aumento da ingestão de carboidratos e fibras, como parte de uma dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras baseada em vegetais, está associada a efeitos benéficos sobre o peso, composição corporal e resistência à insulina. Estudos futuros são necessários para elucidar os mecanismos por trás dos efeitos metabólicos benéficos dos carboidratos e seu papel na regulação do peso corporal, composição corporal e resistência à insulina.

Nesse sentido, o estudo reforça a tese de que para além da preocupação com a quantidade de carboidratos ingerida, é necessário pensar na qualidade desse carboidrato, não excluindo da dieta, mas melhorando e incorporando alimentos com uma densidade nutricional elevada, sobretudo, com a presença de fibras, especialmente, as insolúveis.

Outro estudo publicado recentemente, pelo The Lancet, evidência que o consumo entre 50 e 55% do VET de carboidratos está associado a menor mortalidade e um estudo, também disponível no The Lancet e já comentado aqui no portal, associou o consumo de leites e derivados a menor mortalidade e risco de eventos cardiovasculares, reforçando, assim, a importância do equilíbrio na alimentação para a melhoria da qualidade de vida e aumento da expectativa de vida.

 

 

Referências bibliográficas:

Dehghan, M., Mente, A., Rangarajan, S., Sheridan, P., Mohan, V., Iqbal, R.; et al. Association of dairy intake with cardiovascular disease and mortality in 21 countries from five continents (PURE): a prospective cohort study. The Lancet, 2018.

Kahleova, H.; Dort, S.; Holubkov, R.; Barnard, N. D. A Plant-Based High-Carbohydrate, Low-Fat Diet in Overweight Individuals in a 16-Week Randomized Clinical Trial: The Role of Carbohydrates. Nutrients 2018, 10, 1302.

Seidelmann, S. B., Claggett, B., Cheng, S., Henglin, M., Shah, A., Steffen, L. M., … Solomon, S. D. (2018). Dietary carbohydrate intake and mortality: a prospective cohort study and meta-analysis. The Lancet Public Health. doi:10.1016/s2468-2667(18)30135-x

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