Ômega-3 e ansiedade: o que dizem as evidências científicas?

Revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos conduzidos em participantes com sintomas clínicos de ansiedade fornece evidências que o tratamento com PUFAs ômega-3 pode estar associado à redução da ansiedade.

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Continuando nossa discussão sobre ácidos graxos poli insaturados (PUFAs), (já trouxemos aqui, em outro post, um artigo que analisou a utilização de ácidos graxos saturados por ácidos graxos poli-insaturados ômega 6 em desfechos de doenças cardiovasculares, hoje, trazemos uma discussão sobre os ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 relacionados a sintomas de ansiedade.

O texto refere-se a uma revisão sistemática e meta-análise publicada no JAMA Network Open, cujo objetivo foi avaliar a eficácia dos ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 em sintomas de ansiedade. O estudo incluiu ensaios clínicos que avaliaram o efeito ansiolítico de PUFAs ômega-3 em seres humanos, tanto em modelos controlados por placebo quanto não controlados por placebo. No total, 19 artigos foram avaliados.

Foram incluídos 1.203 participantes que faziam tratamento com PUFA ômega-3 (idade média, 43,7 anos; sexo feminino, 55,0%; dosagem média de PUFA ômega-3, 1605,7 mg/dia) e 1037 participantes que não faziam tratamento com PUFA ômega-3 (média de idade, 40,6 anos, sexo feminino, 55,0%).

Os achados gerais revelaram efeitos ansiolíticos modestos dos PUFAs ômega-3 em indivíduos com várias doenças neuropsiquiátricas ou físicas importantes. Embora os participantes e os diagnósticos fossem heterogêneos, o principal achado da metanálise foi que os PUFAs ômega-3 estavam associados a uma redução significativa nos sintomas de ansiedade em comparação com os controles. Além disso, a associação de tratamento com sintomas de ansiedade reduzida de PUFAs ômega-3 foi significativamente maior em subgrupos com diagnósticos clínicos específicos do que em subgrupos sem condições clínicas.

Somado a esses achados, os autores apontam que o efeito ansiolítico dos PUFAs ômega-3 foi significativamente melhor que o dos controles apenas em subgrupos com uma dosagem mais elevada (pelo menos 2000 mg/d) e não em subgrupos com uma dosagem mais baixa (<2000 mg / d).

Nesse sentido, os autores concluem que esta revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos conduzidos em participantes com sintomas clínicos de ansiedade fornece evidências que o tratamento com PUFAs ômega-3 pode estar associado à redução da ansiedade, o que pode não ser apenas devido a potencial efeito placebo, mas também de algumas associações de tratamento com sintomas de ansiedade reduzida. Para os autores, os efeitos ansiolíticos benéficos dos PUFAs ômega-3 podem ser mais fortes em participantes com diagnósticos clínicos específicos do que naqueles sem condições clínicas específicas. No entanto, salientam a importância de ensaios clínicos maiores e bem planejados com altas doses de PUFAs ômega-3, fornecidos em monoterapia e como tratamento coadjuvante à terapia padrão em pacientes com ansiedade.

Claramente, trata-se de um estudo com um ótimo nível de evidência científica, no entanto, toda terapia e tratamento deve ser prescrita a partir da avaliação da equipe multiprofissional que acompanha o paciente, bem como, a suplementação com PUFAs ômega 3 não foi avaliada como “substituto” da terapia medicamentosa”, mas sim, como forma complementar. Nesse sentido, toda cautela é necessária ao extrapolar os dados e toda conduta deve ser pensada em equipe, quando possível.

Referências bibliográficas:

Su, K.-P., Tseng, P.-T., Lin, P.-Y., Okubo, R., Chen, T.-Y., Chen, Y.-W., & Matsuoka, Y. J. (2018). Association of Use of Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acids With Changes in Severity of Anxiety Symptoms. JAMA Network Open, 1(5), e182327.

Swanson, D., Block, R., & Mousa, S. A. Omega-3 Fatty Acids EPA and DHA: Health Benefits Throughout Life. Advances in Nutrition, 2012.Benefícios do Ômega-3

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