O Leite materno apresenta variação?

A composição do leite materno apresentou variação em metabólitos* a partir da análise de amostras de 6 coortes de países diferentes.

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Já é bem estabelecido na literatura científica o papel do aleitamento materno, em virtude dos diversos benefícios para o binômio mãe e filho, entre eles, o fortalecimento do vínculo, os nutrientes adequados para o bebê, a contribuição para a perda de peso após o parto para a mãe.

Estudos recentes têm se dedicado na elucidação do efeito protetor do leite materno a longo prazo na vida do bebê, em desfechos relacionados a doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, diabetes, hipertensão, entre outros.

Além disso, a composição do leite materno oferece os nutrientes necessários para o pleno crescimento e desenvolvimento do bebê, como as imunoglobulinas, proteínas, carboidratos e gorduras. Sabe-se também que a composição do leite muda com o decorrer do tempo, sendo que na fase inicial da amamentação o leite é conhecido como colostro (este rico em imunoglobulinas), passando aproximadamente na segunda semana para o leite de transição até chegar ao leite maduro (aproximadamente na terceira semana) após o nascimento do bebê.

Mas essa mudança na composição do leite com o decorrer dos dias já está bem aceita na literatura. No entanto, um estudo publicado recentemente na revista Nutrients (agosto/2018), investigou a variação de metabólitos* no leite humano em cinco países diferentes.

Os pesquisadores coletaram amostras de leite humano (total de 109 mulheres) um mês após o parto (todas as mulheres tiveram parto normal) a partir de seis coortes existentes nos seguintes países: Austrália (2 coortes), Japão, EUA, Noruega e África do Sul. Os níveis de metabólitos do leite foram determinados por ressonância magnética nuclear devido à sua elevada reprodutibilidade e cobertura e uma ampla gama de metabólitos.

Os resultados evidenciaram um total de 28 metabólitos identificados no leite humano a partir das amostras coletadas, incluindo açúcares (frutose, glicose, lactose), aminoácidos (alanina, glutamina, glutamato, glicina, isoleucina, leucina, valina), colina e seus metabólitos, e metabólitos de energia (acetona, citrato, creatina, creatina fosfato, creatinina, lactato, 2-oxoglutarato, piruvato, succinato), sendo que a maioria dos metabólitos medidos estavam dentro da faixa encontrada em outros estudos em um tempo comparável de pós-parto.

Além disso, um dos principais resultados indicaram que os metabólitos lácteos em mulheres sul-africanas diferiram substancialmente dos das mulheres norueguesas, americanas e das mulheres de ambas as coortes australianas. A composição do leite das mulheres sul-africanas apresentou níveis mais elevados de lactose, creatina e metabólitos energéticos, como o 2-oxoglutarato.

Um dos principais mecanismos apontados pelos autores, relaciona-se a dieta materna pela influência já evidenciada na literatura em alguns constituintes do leite humano, tais como ácidos graxos, vitaminas e minerais. O estudo chama atenção, pela ênfase em entender as diferenças populacionais existentes, através da composição do leite humano, além de uma importante reflexão no que tange a nutrição materna.

Benefícios do Aleitamento materno:

Para o bebê:

  • Protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias;
  • Reduz o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes;
  • Diminui a chance do desenvolvimento da obesidade;
  • Melhora do desenvolvimento cognitivo.

 

Para a mãe:

  • Maior velocidade na redução do peso pós-parto;
  • Diminuição do risco para anemia, hemorragia, câncer de mama e ovário e diabetes;
  • Pode ser considerado um anticoncepcional natural nos primeiros 6 meses (desde que seja exclusivo e em livre demanda).

Fonte: Ministério da Saúde

* Metabólitos são os produtos intermediários de reações metabólicas catalisadas por várias enzimas que ocorrem naturalmente dentro das células.  O Ministério da Saúde disponibiliza, entre seus cadernos de atenção básica, o caderno saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar, que pode ser usado como ferramenta para promover a amamentação materna.

 

 

Referências bibliográficas:

 

Aleitamento Materno / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-para-voce/saude-da-crianca/aleitamento-materno

Gay, M. C. L.; Koleva, P. T.; Slupsky, C. M.; Toit, E. d.; Eggesbo, M.; Johnson, C. C.; Wegienka, G.; Shimojo, N.; Campbell, D. E.; Prescott, S. L.; Munblit, D.; Geddes, D. T.; Kozyrskyj, A. L.; InVIVO LactoActive Study Investigators. Worldwide Variation in Human Milk Metabolome: Indicators of Breast Physiology and Maternal Lifestyle? Nutrients 2018, 10, 1151.

Mestrovic, T. What are Metabolites? News Medical Life Sciences, 2018. https://www.news-medical.net/life-sciences/What-are-Metabolites.aspx

Saúde da criança : aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015.

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