Modelo francês de alimentação: quais lições devemos aprender?

Estudo sugere que o modelo francês de alimentação possui um importante papel na prevenção da obesidade.

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Os modelos de alimentação, bem como, as formas de se alimentar variam muito ao redor do mundo. E isso se deve a diferentes motivos: localização geográfica, com diferentes tipos de produção agrícola, herança cultural (porque a alimentação tem suas raízes na cultura dos povos), crenças, tradições, entre tantos outros.

Entre os principais tipos de alimentação difundidos como sendo benéficos a saúde, está a dieta do Mediterrâneo, já bastante conhecida. No entanto, outros padrões alimentares, também apresentam particularidades interessantes do ponto de vista nutricional.

Um estudo publicado no British Journal of Nutrition, em julho de 2018, dedicou-se a avaliar a adesão ao “modelo francês de alimentação” e se este apresenta associação com o peso, entre os franceses. Primeiramente, é importante pontuar aqui a característica desse modelo de alimentação.

O chamado “modelo francês de alimentação” caracteriza-se por refeições estruturadas e pelo convívio social durante as refeições. Mais precisamente, é composto por três refeições/dia geralmente consumidas, em horários fixos, com escassos lanches. As principais refeições (almoço e jantar) incluem três pratos – entrada, prato principal e sobremesa – e são realizadas ao redor da mesa. Além disso, as refeições são momentos agradáveis ​​compartilhados com outras pessoas e, portanto, duram um tempo relativamente longo.

No estudo, foram avaliados 47.219 participantes do estudo NutriNet-Santé. Uma pontuação global de adesão ao “modelo francês de alimentação” foi calculada com base em componentes do comportamento alimentar a partir do questionário do estudo.

Os resultados evidenciaram que a maioria dos participantes seguiam o modelo: três refeições por dia, em horários determinados, sentados à mesa com outras pessoas e considerando as refeições como um momento de prazer. Indivíduos que exibiram maior adesão ao modelo, foram menos propensos a estar acima do peso (OR = 0,89; 95% IC 0,87, 0,92 ou obesos (0,66; IC95% 0,74, 0,99). Tendências semelhantes foram encontradas para os seguintes componentes: número de refeições por dia, frequência de petiscar, tempo de refeição, duração da refeição e experiência de prazer, enquanto uma tendência oposta foi observada para o componente de comer com os outros. Os autores ressaltam que embora estudos prospectivos sejam necessários para concluir sobre uma relação causal, estes resultados sugeriram o potencial papel do “Modelo Francês de Alimentação”, que ainda prevalece na França, na prevenção da obesidade.

Apesar de ser um estudo transversal e não poder inferir relação de causalidade, é bastante interessante pensar que apenas não somente o número de refeições realizadas ao longo do dia e o baixo consumo de petiscos, entre os franceses, pode estar relacionado ao desfecho (indivíduos obesos), mas também, que o papel do comportamento alimentar e do compartilhamento das refeições também estejam relacionados ao perfil nutricional dos franceses, que vem apresentando taxas de prevalência de obesidade estáveis desde 2006.

Portanto, é interessante pensar no que nos diz os aspectos do comportamento, que vai além do quanto comer, mas considera também e em qual horário e o como comer, aspectos essenciais do processo de controle de peso.

 

 

Referências bibliográficas:

Ducrot, P., Méjean, C., Bellisle, F., Allès, B., Hercberg, S., & Péneau, S. Adherence to the French Eating Model is inversely associated with overweight and obesity: results from a large sample of French adults. British Journal of Nutrition, 120(02), 231–239, 2018.

 

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