Ingestão de proteínas e fragilidade em idosos

Um alto consumo de proteína na dieta está inversamente associado à fragilidade em idosos.

0
134

Com o aumento da longevidade, decorrente principalmente da transição demográfica e transição epidemiológica ocorridas no Brasil (ainda em curso), os debates sobre a nutrição e o envelhecimento têm ganhado cada vez mais destaque na literatura científica e no campo da nutrição.

Por isso, também buscamos trazer para nossas discussões, artigos que discutem os diferentes aspectos da nutrição nesses indivíduos. Recentemente, a revista Nutrients publicou uma revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais que investigou a relação entre a ingestão de proteínas e o estado de fragilidade dos idosos.

A fragilidade, entendida como um estado clínico geriátrico multidimensional que envolve múltiplos sinais e sintomas, que pode levar a extrema vulnerabilidade e resultar em aumento de riscos negativos relacionados à saúde, como declínio funcional, incapacidade, quedas, hospitalização, institucionalização e morte.

Na revisão sistemática e meta-análise, foram incluídos 10 artigos, sendo sete transversais e três longitudinais, totalizando uma amostra com 50.284 idosos de três continentes diferentes entre 2006 e 2018. Quatro estudos transversais foram incluídos na meta análise.

A ingestão dietética foi avaliada nos artigos pelo questionário de frequência alimentar e questionário de auto-avaliação de história alimentar. Já a fragilidade foi avaliada por duas ferramentas: a proposta da fragilidade fenotípica e o check list de Kihon (KCL).

Os principais resultados demonstraram que uma alta ingestão de proteína foi negativamente associada com o estado de fragilidade em adultos mais velhos (OR: 0,67, IC = 0,56 a 0,82, p = 0,0001), ou seja, quanto maior a ingestão de proteína, menor o risco de fragilidade nesta população.

Portanto, os autores ressaltam que resultados sugerem que um alto consumo de proteína na dieta está inversamente associado à fragilidade em idosos e assim, os dados corroboram a necessidade de aumento da ingestão de proteínas em adultos mais velhos, na tentativa de evitar o desenvolvimento de fragilidade.

Nesse sentido, o artigo deixa muito claro o papel da nutrição na prevenção da fragilidade em idosos, a partir de uma alimentação adequada e equilibrada, com uma quantidade de proteína adequada.

Há estudos sugerindo que o aumento da necessidade da ingestão de proteína em idosos seja, praticamente, dobrado, passando de 0,8g de proteína por quilo de peso para 1,5g/kg/dia.

Vale ressaltar (como sempre) que apesar dos dados indicarem que o maior consumo de proteína teria um papel protetor no desenvolvimento da fragilidade desses idosos, o consumo de proteína deve ser adequado e individualizado para cada idoso. E para isso, a ajuda profissional é essencial!

 

 

Referências bibliográficas

Coelho-Júnior, H. J.; Rodrigues, B.; Uchida, M.; Marzetti, E. Low Protein Intake Is Associated with Frailty in Older Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis of Observational Studies. Nutrients 2018, 10, 1334.

Kim, I.-Y., Schutzler, S., Schrader, A., Spencer, H., Kortebein, P., Deutz, N. E. P., … Ferrando, A. A. (2015). Quantity of dietary protein intake, but not pattern of intake, affects net protein balance primarily through differences in protein synthesis in older adults. American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism, 308(1), E21–E28. doi:10.1152/ajpendo.00382.2014

Confira mais artigos dessa categoria!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, digite seu nome