Impacto da Variabilidade Genética nas Respostas Fisiológicas à Cafeína em Humanos: Uma Revisão Sistemática

A pesquisa forneceu fortes evidências de que os SNPs no gene ADORA2A estão associados ao impacto ansiogênico da cafeína

0
199

Continuando nossa discussão sobre o café e seus compostos bioativos com desfechos na saúde, hoje vamos discutir especificamente sobre o papel da cafeína e aspectos genéticos.

A cafeína tem sido utilizada na prática clínica, sobretudo, na nutrição esportiva, como suplemento ergogênico. Além disso, o consumo não apenas da cafeína isolada, mas do café, tem sido associado a benefícios relacionados a atenção, disposição e concentração cognitiva.

Mas, será que a cafeína possui benefícios independente da variação genética dos indivíduos? Esse questionamento foi abordado em um artigo recentemente publicado na revista Nutrients, que analisou por meio de uma revisão sistemática como os polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) afetam o uso habitual de cafeína, bem como as consequências ergogênicas e ansiogênicas da cafeína.

Os estudos selecionados envolveram participantes humanos e preencheram pelo menos um dos seguintes critérios de inclusão: (a) análise genética de indivíduos que habitualmente consomem cafeína; (b) análise genética de indivíduos que realizaram medições do desempenho físico com o consumo de cafeína; (c) análise genética de indivíduos submetidos a medidas de humor com o consumo de cafeína. No total, foram incluídos 26 estudos (10 ensaios clínicos randomizados, cinco ensaios clínicos controlados, sete estudos transversais, três estudos intervencionistas de um único grupo e um estudo de caso-controle).

Em relação ao uso habitual de cafeína, polimorfismos de nucleotídeo único nos genes citocromo P450 (CYP1A2) e receptor de hidrocarbonetos de arila (AhR) foram consistentemente associados ao consumo de cafeína.

A respeito das consequências ansiogênicas da cafeína, a pesquisa forneceu fortes evidências de que os SNPs no gene ADORA2A estão associados ao impacto ansiogênico da cafeína. Particularmente, para o sexo feminino sem cafeína que possuem o genótipo TT ADORA2A (rs5751876) podem ser especialmente propensas a sentir ansiedade após o consumo de cafeína. No entanto, um estudo demonstrou que o autorrelato de apresentar ansiedade com consumo de cafeína não foi aparente em indivíduos que possuem ADORA2A (rs5751876) TT que habitualmente consomem doses grandes a moderadas. Assim, as evidências disponíveis sugerem que o uso habitual pode levar à tolerância às conseqüências ansiogênicas da cafeína, independentemente de variações genéticas selecionadas. Em relação aos resultados relacionados aos efeitos ergogênico, os resultados foram considerados contraditórios para os autores.

Como conclusão, os autores enfatizam que o estudo forneceu evidências de que os genes CYP1A2, AhR e ADORA2A estão associados ao consumo habitual, sendo que mais pesquisas são necessárias para esclarecer como esses genes afetam direta ou indiretamente os mecanismos fisiológicos e/ou psicológicos responsáveis ​​pela variabilidade no consumo de cafeína e genes entre os indivíduos.

 

 

Referências bibliográficas

Fulton, J., Dinas, P., Carrillo, A., Edsall, J., Ryan, E., & Ryan, E. Impact of Genetic Variability on Physiological Responses to Caffeine in Humans: A Systematic Review. Nutrients, 10(10), 1373, 2018.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, digite seu nome