Estilo de vida, alimentação saudável e função cognitiva

Um estilo de vida ativo pode reforçar significativamente o efeito benéfico de uma dieta saudável na preservação da função cognitiva.

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Atualmente, a discussão sobre estilo de vida tem ganhado cada vez mais espaço nas abordagens de saúde, isso porque, o próprio conceito de saúde proposto pela Organização Mundial da Saúde transcende as barreiras da ausência de doenças e contempla diferentes aspectos, por vezes, subjetivos: “saúde é um estado de completo bem-estar físico, metal e social, e não apenas a ausência de doenças”.

Nesse contexto das discussões sobre estilo de vida, muitos temas permeiam a temática, entre eles, o desempenho cognitivo. A revista Nutrients no mês de setembro (2018), trouxe uma interessante discussão sobre a relação entre estilo de vida, alimentação saudável e função cognitiva entre 2223 idosos suecos (60 anos ou mais), sem demência, acompanhados por seis anos.

Segundo os autores, o estilo de vida é um conjunto complexo de comportamentos e exposições inter-relacionados, sendo que, estudos mais recentes têm evidenciado que indivíduos com hábitos alimentares mais saudáveis sejam, em geral, mais preocupados com a saúde, e tendem também a ter um estilo de vida ativo.

Para análise do desempenho cognitivo, os indivíduos foram avaliados segundo os escores do Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e para avaliação da dieta, pelo questionário de frequência alimentar, objetivando avaliar o Padrão Dietético Nórdico Prudente (NDNP). O índice NPNP é composto por 15 itens de alimentos e bebidas e foi desenvolvido como um melhor preditor de função cognitiva preservada em populações nórdicas idosas em comparação com outros quatro índices alimentares predefinidos, incluindo a Intervenção Mediterrânica para o Atraso Neurodegenerativo (MIND), a dieta do Mediterrâneo (MedDietScore), Abordagens Dietéticas para Hipertensão (DASH) e a Dieta do Mar Báltico (BSD). Este índice alimentar reflete consumos elevados de vegetais como, maçãs/pêras/pêssegos, massas/arroz, aves, peixe, óleos vegetais, chá e água, ingestão baixa a moderada de vinho e baixo consumo de raízes vegetais (incluindo batatas), grãos/cereais refinados, produtos lácteos com alto teor de gordura, manteiga/margarina, açúcar/doces/pastéis e suco de frutas. A participação nas atividades físicas, mentais e sociais foi categorizada em baixa, moderada e intensa; já o estilo de vida ativo foi definido com base na participação em cada uma dessas atividades.

Os resultados mostraram que a adesão de moderada a alta ao NPNP foi associada a um declínio reduzido no escore do MEEM, sendo que essa associação se tornou mais forte quando combinada com atividade física moderada a intensa, atividades mentais, ou sociais. Um estilo de vida ativo reduziu ainda mais o risco de declínio do MEEM em 30%.  Portanto, o estudo demonstrou que um estilo de vida ativo pode reforçar significativamente o efeito benéfico de uma dieta saudável na função cognitiva preservada e diminui ainda mais o risco de declínio cognitivo.

Em um post recente, discutimos sobre o papel do consumo de resveratrol no desempenho cognitivo, cujos resultados do estudo apresentado revelaram que seu consumo tem efeitos positivos em algumas medidas de desempenho cognitivo. Sendo assim, é importante considerar a complexidade do tema e os diferentes fatores que interferem no desempenho cognitivo como um todo.

Portanto, o incentivo a hábitos de vida saudáveis, como a prática de atividade física, convívio social, alimentação adequada pode se configurar uma estratégia interessante na conduta para a manutenção do desempenho cognitivo entre idosos, constituindo assim, parte de um estilo de vida saudável. Lembrando sempre da importância da adaptação das necessidades individuais e que este estudo reflete os resultados de uma coorte de indivíduos saudáveis suecos. Por isso, a avaliação de uma equipe integrada, entre geriatras, nutricionistas, profissional de educação física é fundamental para o estabelecimento de metas individualizadas.

 

 

Referências bibliográficas:

Marx, W., Kelly, J. T., Marshall, S., Cutajar, J., Annois, B., Pipingas, A., Tierney, A., Itsiopoulos, C. (2018). Effect of resveratrol supplementation on cognitive performance and mood in adults: a systematic literature review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutrition Reviews, 76(6), 432–443. doi:10.1093/nutrit/nuy010

Shakersain, B.;  Rizzuto, D.; Wang, H-X.;  Faxén-Irving, G.; Prinelli, F.;  Fratiglioni, L.; Xu, W. An Active Lifestyle Reinforces the Effect of a Healthy Diet on Cognitive Function: A Population-Based Longitudinal Study. Nutrients 2018, 10, 1297.

The Institute of Lifestyle Medicine – t Spaulding Rehabilitation Hospital and Harvard Medical School. Boston, 2014. Disponível em: https://www.instituteoflifestylemedicine.org/?page_id=8

World Health Organization – Health Impact Assessment (HIA): The determinants of health. Disponível em: http://www.who.int/hia/evidence/doh/en/

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