Diretrizes para o tratamento nutricional do câncer

Segundo dados do Instituo Nacional do Câncer (INCA), estima-se para o Brasil, no biênio 2018 e 2019, a ocorrência de 600 mil casos novos, por ano.

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Ontem (04/02) foi o Dia Mundial do Câncer pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por isso e pela relevância do assunto, resolvemos abordá-lo aqui no portal. Considerada uma das principais causas de morbimortalidade em diferentes países, a cada década é esperado um aumento no número de casos da doença no mundo todo.

Em números…

 

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se para o Brasil, no biênio 2018 e 2019, a ocorrência de 600 mil casos novos, para cada ano, sendo os cânceres de próstata, pulmão, mama feminina e cólon retal entre os mais incidentes. Cânceres do colo do útero, estômago e esôfago também apresentam altas taxas.

O que a nutrição pode fazer para melhorara qualidade de vida das pessoas que recebem este diagnóstico?

 

Dada a complexidade do tratamento, discutir sobre qualquer aspecto referente a conduta nutricional relacionada ao câncer é uma tarefa demasiadamente densa e que envolve diferentes fatores. Nesse sentido, o aprofundamento dos profissionais que trabalham nessa área é essencial, sobretudo, com aperfeiçoamento constante e acompanhamento das principais diretrizes existentes.

Trouxemos aqui, alguns desses principais consensos:

 

  • Guidelines on Nutrition in Cancer Patients, publicado em 2017, refere-se as diretrizes desenvolvidas para traduzir as melhores evidências e recomendações de especialistas para equipes multidisciplinares responsáveis pela identificação, prevenção e tratamento de elementos reversíveis da desnutrição em pacientes adultos com câncer.
  • Oncology Evidence-Based Nutrition Practice Guideline for Adults, publicado por Thompson e colaboradores no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, em fevereiro de 2017 – trata-se da diretriz desenvolvida pela Academy of Nutrition and Dietetics (AND) para nutricionistas que cuidam de pacientes adultos oncológicos em ambientes ambulatoriais e intensivos.
  • Consenso Nacional de Nutrição Oncológica, revisto e atualizado em 2015 – refere-se ao resumo das condutas terapêuticas nutricionais aos pacientes com câncer nas diferentes fases da doença e do tratamento, desenvolvido pelo INCA, órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento de ações de prevenção e controle da doença no Brasil.

 

Ainda, vale ressaltar uma importante inciativa do INCA, como o projeto ABC do Câncer: Abordagens Básicas para o Controle do Câncer, cuja publicação foi revista e atualizada em 2017. Trata-se de um conteúdo textual do curso a distância desenvolvido pela coordenação de ensino (COENS) do INCA para profissionais de saúde não especializados em oncologia e alunos de graduação na área de saúde, abrangendo a definição, prevenção, tratamento, epidemiologia e políticas públicas acerca da doença.

Obviamente, não pretendemos aqui, esgotar a discussão sobre os principais guias existentes para conduta nutricional relacionadas ao câncer. No entanto, vale a leitura dos materiais para quem tem maior interesse sobre o assunto.

A conduta nutricional e o manejo do paciente oncológico são bastante específicos. Variam de acordo com a localização e estagio da doença, assim como, dependem do estado nutricional do paciente e dos efeitos colaterais decorrentes do tratamento aplicado (por exemplo, os sintomas apresentados em decorrência de quimioterapia, radioterapia ou cirurgias).

De forma bastante geral, um dos principais objetivos da terapia nutricional no paciente oncológico é manter o estado nutricional adequado, evitando perda de peso e massa muscular; minimizar e/ou controlar sintomas decorrentes do tratamento, relacionados à alimentação e; melhorar a qualidade de vida ao longo do tratamento.

Resumidamente, as principais dicas são:
  • Comer o que tem vontade (dentro das possibilidades);
  • Ter o máximo de cuidado com a preparação dos alimentos;
  • Fracionar a refeição (comer menos, mais vezes ao dia);
  • Quando comer fora de casa, evitar alimentos crus (vegetais) e verduras;
  • Procurar sempre ajuda de um nutricionista para orientação adequada.

 

 

Referências bibliográficas:

 

Arends, J., Bachmann, P., Baracos, V., Barthelemy, N., Bertz, H., Bozzetti, F., … Preiser, J.-C. (2017). ESPEN guidelines on nutrition in cancer patients. Clinical Nutrition, 36(1), 11–48.

Thompson, K. L., Elliott, L., Fuchs-Tarlovsky, V., Levin, R. M., Voss, A. C., & Piemonte, T. (2017). Oncology Evidence-Based Nutrition Practice Guideline for Adults. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, 117(2), 297–310.e47.

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação Geral de Gestão Assistencial. Hospital do Câncer I. Serviço de Nutrição e Dietética.  Consenso nacional de nutrição oncológica. / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva; Nivaldo Barroso de Pinho (organizador) – 2. ed. rev. ampl. atual. – Rio de Janeiro: INCA, 2016.

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva.  ABC do câncer: abordagens básicas para o controle do câncer / Instituto Nacional  de Câncer José Alencar Gomes da Silva; organização Mario Jorge Sobreira da Silva. –  3. ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Inca, 2017.

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. – Rio de Janeiro: INCA, 2017.

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Guia de nutrição para pacientes e cuidadores: orientações aos pacientes / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. – 3a ed. – Rio de Janeiro: Inca, 2015.

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Divisão de Comunicação Social. Quimioterapia / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, Divisão de Comunicação Social. — 3. ed. — Rio de Janeiro: Inca, 2013.

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