Diabetes Mellitus e tolerância a glicose em adolescentes: é reversível?

Estudo de coorte evidencia que a diminuição da tolerância a glicose é reversível em adolescentes obesos.

0
49

O diabetes mellitus (DM) é definido como um distúrbio metabólico, caracterizado por hiperglicemia persistente, decorrente de deficiência na produção de insulina ou na sua ação, ou em ambos os mecanismos, repercutindo em complicações em longo prazo. A classificação do tipo de diabetes segue basicamente a sua etiologia (SBD, 2017).

Em recente estudo publicado no The Lancet, pesquisadores ligados aos departamentos de pediatria de diferentes universidades (EUA, Itália e Israel), por meio de um estudo de coorte do tipo prospectivo observacional, investigaram os determinantes clínicos e metabólicos das alterações longitudinais da tolerância à glicose e da função das células β em uma coorte multiétnica de jovens obesos.

A coorte foi constituída por 526 adolescentes (idade média 12 – 17 anos), multiétinica, com sobrepeso e obesos (Índice de Massa Corporal > percentil 85) com tolerância normal à glicose basal (glicose plasmática <140 mg / dl) ou tolerância à glicose diminuída (glicose plasmática 140-199 mg / dl), acompanhados no período de 2010 a 2016, na Yale Pediatric Obesity Clinic (CT, EUA). Todos os participantes foram submetidos a um teste oral de tolerância à glicose de 3 horas no início do estudo e após 2 anos, para estimar a secreção de insulina no contexto da sensibilidade à insulina corporal. Todos os participantes receberam aconselhamento dietético e passaram por uma avaliação dietética a cada 5/6 meses. Não foi realizada nenhuma intervenção farmacológica.

Inicialmente, 364 indivíduos tinham glicose normal e 162 tinham tolerância a glicose diminuída. Após o seguimento, 65 % (n=105) dos indivíduos que tinham diminuição da tolerância a glicose apresentaram uma reversão para os níveis de glicose normais, em 27% (n= 44) dos indivíduos a diminuição da tolerância a glicose persistiu e 8% (n=13) evoluíram para diabetes tipo 2.

Uma característica encontrada da reversão para tolerância à glicose normal foi o aumento de aproximadamente quatro vezes no índice de disposição oral*, ou seja, esses participantes apresentavam-se intolerantes e isso foi revertido ao final do estudo, e ainda, essa tolerância foi significativamente maior quando comparados aqueles que já tinham tolerância normal à glicose no inicio do estudo.

Em contrapartida, uma diminuição na secreção de insulina foi observada em participantes que tinham intolerância persistente à glicose ou que progrediram para diabetes tipo 2, em comparação com os participantes que mantiveram a tolerância normal à glicose ao longo do período do estudo. A origem étnica branca não hispânica conferiu cinco vezes mais chances de reversão à tolerância à glicose normal em comparação com a etnia negra não hispânica, com um aumento anual duas vezes maior no índice de disposição oral.

Diante desses resultados, os pesquisadores pontuaram que a diminuição da tolerância a glicose em adolescentes é reversível, sendo que a origem étnica é o principal modificador clínico da resposta dinâmica das células β à hiperglicemia pré-diabética e, portanto, determina a reversibilidade da tolerância à glicose diminuída, ou sua persistência. A partir desses resultados, reforçam que as intervenções terapêuticas para a diminuição da tolerância à glicose devem ter como alvo os mecanismos específicos que sustentam as mudanças na tolerância à glicose em grupos étnicos de alto risco, como por exemplo, modificações na alimentação e no estilo de vida.

É importante também lembrar que trata-se de um estudo prospectivo observacional, portanto, os autores pontuam as limitações que podem influenciar nos resultados, como a ausência de dados referentes a ingestão nutricional, que podem ter afetado o risco individual de mudança da tolerância a glicose ao longo do tempo bem como, os dados detalhados para modificações no estilo de vida sugeridos nas consultas no acompanhamento clínico.

*Índice de disposição oral: é o produto do índice de sensibilidade à insulina e função das células β.

O diagnóstico deve ser confirmado pelo médico, com indicação ou não de repetição do exame.Fonte: SBD, 2018.

Sintomas, fatores de risco e prevenção para DM:

Fonte: SBD, 2018.

As complicações agudas da DM incluem hipoglicemia e hiperglicemia e as complicações crônicas podem ser associadas a problemas nos rins, visão, coração, vasos e pés.

E você, o que achou do artigo? Comente com a gente sobre o assunto!

 

Referências bibliográficas

 

Galderisi, A.; Giannini, C.; Weiss, R.; Kim, G.; Shabanova, V.; Santoro, N.; Pierpont, B.; Savoye, M.; Caprio, S. Trajectories of changes in glucose tolerance in a multiethnic cohort of obese youths: an observational prospective analysis. Lancet Child Adolesc Health. Published Online, August 23, 2018.

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018 / Organização José Egídio Paulo de Oliveira, Renan Magalhães Montenegro Junior, Sérgio Vencio. — São Paulo : Editora Clannad, 2017.

Sociedade Brasileira de Diabetes / Dia Mundial do Diabetes – Orientações Nutricionais, 2018.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, digite seu nome