Diabetes e doenças cardiovasculares: quais fatores de risco estão associados?

Estudo de coorte na Suécia que acompanhou pacientes com diabetes tipo 2 identificou que ter as outras variáveis de fatores de risco dentro das faixas de normalidade implica reduzir o risco a doenças cardiovasculares.

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As doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) apresentam uma tendência no aumento da incidência e da prevalência ao longo do tempo, acentuado a partir do final do século XX. Apesar das causas serem multifatoriais, existe um fator comum para o desenvolvimento de tais doenças: a mudança do estilo de vida da população.

Especificamente sobre o diabetes, uma das principais DCNTs, cuja etiologia já foi discutida em um artigo anterior, o diagnóstico da doença pode ser um agravante para desfechos relacionados a doenças cardiovasculares (principal causa de mortalidade no Brasil e no mundo).

Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, umas das principais revistas científicas na área da saúde, analisou uma coorte com 271.174 pacientes com diabetes tipo 2 e 1.355.870 indivíduos controles por aproximadamente 6 anos. Os pesquisadores avaliaram pacientes com diabetes de acordo com a idade e com a presença de cinco fatores de risco: nível elevado de hemoglobina glicada (Hb1ac), nível elevado de colesterol (lipoproteína de baixa densidade – LDL-c), albuminúria, tabagismo e pressão arterial elevada. Os pacientes foram oriundos do Registro Nacional de Diabetes da Suécia, no período de 1998 a 2012.

Foram estudados o risco excessivo nos seguintes desfechos: morte, infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e hospitalização por insuficiência cardíaca.

A análise dos resultados evidenciou que entre os pacientes com diabetes tipo 2, o risco excessivo dos desfechos avaliados diminuiu gradualmente quando os fatores de risco se encontravam dentro da faixa de normalidade. Ou seja, mesmo quando o individuo tem o diagnóstico de diabetes do tipo 2 é preciso encorajar a mudança do estilo de vida, para controlar os outros fatores de risco e assim, diminuir a consequência da doença, nos aspectos da saúde do coração.

Visto que o risco de hospitalização por insuficiência cardíaca foi consistentemente maior entre os pacientes com diabetes do que entre os controles. Um nível de hemoglobina glicada fora do intervalo de normalidade foi o preditor mais forte de AVC e IAM; já o tabagismo foi o preditor mais forte de mortalidade.

A análise por faixa etária identificou que para as idades mais jovens, o aumento do número de variáveis ​​que não estão dentro das faixas de normalidade constitui-se em um risco relativo maior de desfechos cardiovasculares adversos, sugerindo portanto, que pode haver maior potencial de ganho com tratamentos mais agressivos em pacientes mais jovens com diabetes.

Os seguintes fatores de risco foram considerados como os mais fortes preditores de desfechos cardiovasculares e morte: níveis baixos de atividade física, tabagismo e hemoglobina glicada, pressão arterial sistólica e colesterol LDL elevada, como já evidenciado em diferentes relatos na literatura.

Em conclusão, os pacientes com diabetes tipo 2, que tinham cinco variáveis ​​de fatores de risco dentro das faixas de normalidade, apresentaram ter pouco ou nenhum excesso de risco de mortalidade, IAM e AVC, em comparação com o grupo controle.

Fonte: Adaptado de WWD, 2018.

Informações adicionais:

  • A atividade física é essencial no tratamento do diabetes;
  • A prática regular de exercícios físicos e o combate ao sedentarismo devem ser encorajados por todos os profissionais de saúde;
  • Os pacientes com DM devem praticar exercício físico aeróbico/resistido, de acordo com a capacidade/necessidade.
  • O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA evidenciou que os dados epidemiológicos são suficientes para determinar a existência de vínculo causal entre tabagismo de DM tipo 2;
  • É estimado que 10% dos casos mundiais de DM tipo 2 seja causada pelo tabagismo;
  • O tabagismo é um importante fator de risco modificável para o desenvolvimento de DM tipo 2.

 

 

Referências bibliográficas:

 

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018 / Organização José Egídio Paulo de Oliveira, Renan Magalhães Montenegro Junior, Sérgio Vencio. — São Paulo : Editora Clannad, 2017.

Rawshani, A.; Rawshani, A.; Franzén, S.; Sattar, N.; Eliasson, B.; Svensson, A-N.; Zethelius, B.; Miftaraj, M.; McGuire, D. K.;  Rosengren, A.; Gudbjörnsdottir, S. Risk Factors, Mortality, and CardiovascularOutcomes in Patients with Type 2 Diabetes. N Engl J Med 2018;379:633-44.

WWD – World Diabetes Day & International Diabetes Federation https://www.worlddiabetesday.org/, Bélgica, 2018.

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