Consumo de vegetais e risco de mortalidade

Maior quantidade vegetal, mas não variedade, foi associada a um risco reduzido de mortalidade por todas as causas, doença cardiovascular e doença coronariana.

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Atualmente, a recomendação por uma alimentação baseada em vegetais, como as dietas plant-based, têm ganhado força em virtude de seu potencial benefício em desfechos de saúde e tem sido cada vez mais presentes nos guias alimentares dos países, como o Dietary Guidelines for Americans 2015–2020 (DGA) que fornece recomendações para o consumo de uma quantidade e variedade específica de vegetais.

Por isso, o artigo de hoje, publicado na revista Nutrients, avaliou prospectivamente a relação entre quantidade e variedade de vegetais e o risco de mortalidade.

Os dados sobre demografia e comportamentos de saúde em nível individual foram adquiridos da NHANES, ciclos 1999–2000, 2001–2002, 2003–2004, 2005–2006, 2007–2008 e 2009–2010 (n = 29.133). Os dados dietéticos foram provenientes do “What We Eat In America” (WWEIA), um componente dietético do NHANES. Entrevistadores treinados conduziram recordatórios alimentares de 24 horas para avaliar os participantes. Para padronizar as quantidades de ingestão relatadas em diferentes tipos de vegetais, o banco de dados de equivalentes do My Pyramid e o Banco de Dados Equivalentes de Padrões Alimentares (FPED) foram utilizados. Os dados dietéticos do WWEIA foram ligados a dados de mortalidade dos Arquivos de Mortalidade Vinculados ao Uso Público.

O tempo médio de seguimento foi de 6,5 anos (12,8 anos no máximo). O total de mortes por todas as causas foi de 2861, que incluiu 829 mortes por doença cardiometabólica (556 doenças coronárias, 170 acidentes vasculares cerebrais e 103 diabetes). Em comparação com os indivíduos que relataram consumir a maior quantidade de vegetais diariamente, aqueles com menor consumo tiveram um risco 78% maior de mortalidade por todas as causas (HR: 1,78, 95% IC: 1,29–2,47), um risco 68% maior de morte de doença cardiovascular (1,68; 1,08-2,62) e um risco 80% maior de morte por doença coronariana (1,80; 1,09–2,08). Não foram observadas relações entre variedade de vegetais e risco de mortalidade por todas as causas ou causas específicas.

Portanto, esse estudo longitudinal, mostrou que maior quantidade vegetal, mas não variedade, foi associada a um risco reduzido de mortalidade por todas as causas, doença cardiovascular e doença coronariana, no entanto, dada as limitações de todo estudo prospectivo, os autores reiteram a necessidade da realização de estudos longitudinais em larga escala com medidas repetidas de exposição alimentar serem necessários para confirmar os achados do estudo.

Embora todo estudo apresente limitações, como este, extrapolar os dados para a prática clínica deve ser sempre avaliado com muita cautela. No entanto, o que já se tem bastante segurança em afirmar é que os vegetais são fontes importantes de compostos bioativos cardioprotetores, incluindo fibra alimentar, carotenóides, licopeno, nitrato, polifenóis, flavonóides, folato e potássio, que possuem ação benéfica para o controle de peso, melhora dos perfis de lipoproteínas, redução da pressão arterial, inibição da agregação plaquetária, aumento da sensibilidade à insulina e redução do estresse oxidativo e da inflamação. Portanto, incluir este grupo de alimentos em um plano alimentar individualizado, deve ser uma prática rotineira entre a população, assim como afirmam os principais guias alimentares.

 

 

Referências bibliográficas:

Conrad, A.; Thomson, J.; Jahns, L. Prospective Analysis of Vegetable Amount and Variety on the Risk of All-Cause and Cause-Specific Mortality among US Adults, 1999–2011. Nutrients 2018, 10(10), 1377;

 

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