Consumo de vegetais e efeitos na saúde mental

O consumo de frutas e legumes associou-se a um menor risco de depressão, conferindo portanto, um efeito protetor para a saúde mental.

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O consumo de frutas e legumes está presente no cotidiano das pessoas desde os tempos primitivos e, atualmente, nas principais diretrizes de orientação de consumo alimentar, no Brasil e no mundo.

E o motivo do incentivo ao consumo de tais alimentos já é bastante claro em relação aos benefícios à saúde em geral: são alimentos fontes de fibras, vitaminas e minerais, com ação no bom funcionamento intestinal, aporte de nutrientes adequados, prevenindo deficiências nutricionais e evitando doenças carenciais.

No entanto, os benefícios desses alimentos parecem ir além, contribuindo para a saúde mental. Uma revisão sistemática e meta análise, publicada no British Journal of Nutrition, investigou a associação entre o consumo de frutas e legumes e depressão. Foram incluídos na análise dados de 27 publicações (dezesseis estudos transversais, nove de coorte e dois de caso-controle) e na meta-análise, dezoito deles (aqueles que apresentavam risco relativo (RR), razão de riscos ou OR (odds ratio), incluindo no total, 289,018 indivíduos estudados.

Os dados indicaram que o consumo de legumes foi associado a um risco 14% menor de depressão (RR geral = 0,86; 95% IC 0,75;0,98) em estudos de coorte e a um risco 25% menor (RR geral = 0 75; IC 95% 0,62;0,91) nos estudos transversais.

Além disso, os resultados da meta-análise de estudos observacionais demonstraram uma associação linear inversa entre a ingestão de frutas ou vegetais e o risco de depressão, sendo que a cada 100 g ingerido a mais em frutas foi associado com um risco reduzido de 3% de depressão em estudos de coorte (RR = 0,97; 95% IC 0,95;0,99). Com relação ao consumo de legumes, o aumento de 100 g na ingestão foi associado a um risco de depressão 3% menor em estudos de coorte (RR = 0,97; IC 95% 0,95;0,98) e redução de 5% em estudos transversais (RR = 0,95; 95% IC 0,91;0,98).

Portanto, os resultados da pesquisa indicam que o consumo de frutas e legumes confere um importante papel de proteção à depressão. Uma das principais explicações se deve ao fato de alguns estudos sugerirem que o aumento do estresse oxidativo podem estar envolvidos com doenças relacionadas a saúde mental e, a partir de então, as frutas e legumes, ricos em antioxidantes (substâncias que diminuem o estresse oxidativo), conferirem efeito protetor.

Nesse contexto, é importante ressaltar que os mecanismos que envolvem a saúde mental são bastante complexos e as causas de doenças relacionadas são multifatoriais. A depressão, em particular, é um transtorno mental grave, que impõe um ônus substancial aos indivíduos e a sociedade.

Portanto, é fundamental que tais doenças sejam compreendidas e tratadas conforme cada protocolo, embasadas na conduta médica indicada, no entanto, estratégias que contemplem a ingestão de frutas e legumes pode ser um importante fator para promover a saúde mental.

Atualmente, no Brasil, estima-se que apenas 34,6% da população consuma frutas e hortaliças de maneira regular, isso é, 5 ou mais dias da semana. A OMS recomenda que cada indivíduo ingira, pelo menos, 400 g de frutas, legumes e verduras ao dia, o que corresponde a 5 porções desses alimentos.

O programa 5 ao dia é um programa mundial que conta com nutricionistas para facilitar a inclusão das 5 porções recomendadas no dia a dia da população, através de um cardápio básico que leva em consideração a composição de nutrientes, o preço, a safra e, também, uma programação de compras semanal.

Além disso, o site oferece uma ferramenta muito útil chamada tabela de cores. Nela, existem as informações sobre as características nutricionais de determinados alimentos e seus respectivos benefícios ao organismo, baseados nas paletas de cores.

 

 

Referências bibliográficas:

 

Saghafian, F., Malmir, H., Saneei, P., Milajerdi, A., Larijani, B., & Esmaillzadeh, A. Fruit and vegetable consumption and risk of depression: accumulative evidence from an updated systematic review and meta-analysis of epidemiological studies. British Journal of Nutrition, 119(10), 1087–1101, 2018.

Vigitel Brasil 2017: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2017 / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2018.

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