Consumo de ovos na alimentação complementar e Crescimento Infantil: existem evidências?

A introdução de ovos melhorou significativamente o crescimento em crianças pequenas.

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Hoje o tema aqui no portal é alimentação infantil. E para isso, vamos abordar o consumo de ovos durante o período da introdução da alimentação complementar entre os bebês.

Segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, a introdução alimentar (o início da oferta de alimentos) deve ocorrer a partir do 6° mês de vida dos bebês, período este, considerado adequado para o início da oferta de alimentos, devido sobretudo, a maturidade fisiológica.

Em um estudo publicado na revista Pediatrics em 2017, os pesquisadores avaliaram se a introdução precoce de ovos durante a alimentação complementar melhoraria a nutrição infantil. Para responder a essa pergunta, conduziram um estudo controlado randomizado, realizado no Equador, de março a dezembro de 2015.

Crianças de 6 a 9 meses foram aleatoriamente designadas para o grupo tratamento (1 ovo por dia, durante 6 meses [n = 83]) e grupo controle (sem intervenção [n = 80]). Todos os domicílios dos participantes foram visitados uma vez por semana para monitorar os sintomas de morbidade, distribuir os ovos e monitorar a ingestão de ovos (apenas para o grupo de ovos). As medidas iniciais e finais consistiram em: avaliação antropométrica, frequência de ingestão alimentar e sintomas de morbidade.

Não foram relatados casos de reações alérgicas aos ovos. Entre os principais resultados, os dados mostraram que a intervenção com ovo aumentou o escore z de comprimento para a idade em 0,63 (IC 95%, 0,38-0,88) e escore z peso/idade em 0,61 (IC 95% 0,45-0,77); também foi identificado redução da prevalência de baixa estatura em 47% (razão de prevalência, 0,53; IC 95% 0,37-0,77) e baixo peso em 74% (RP 0,26; IC 95% 0,10-0,70 ); as crianças do grupo de tratamento tiveram maior ingestão dietética de ovos (RP, 1,57; IC 95 %, 1,28-1,92) e redução do consumo de alimentos adoçados com açúcar (RP, 0,71; IC 95%, 0,51-0,97) em comparação com o controle.

Portanto, a principal conclusão dos autores é de que a introdução de ovos melhorou significativamente o crescimento em crianças pequenas. E, considerando esses resultados e o custo dos ovos, os autores recomendam o consumo entre as crianças (desde que não exista quadros alérgicos, obviamente) como medida de saúde pública e prevenção de déficit estatural entre as crianças.

É sempre válido lembrar que a introdução alimentar deve seguir as orientações dos profissionais envolvidos, como pediatras e nutricionistas, uma vez que existem especificidades e é um período em que se deve atentar não só para o risco de alergias, mas também de intolerâncias e preferências alimentares.

O ovo, apesar de ser considerado uma boa fonte de ferro, apresenta baixa biodisponibilidade do mesmo. Esse fato pode ser explicado devido a presença de avidina, uma glicoproteína presente nos ovos que inibe a absorção de ferro não heme pelo organismo, portanto não deve ser utilizado para finalidade de aumento do aporte de ferro.

Uma boa maneira de oferecer esse alimento às crianças é cozido puro amassado ou misturado as papinhas, sopas, caldos, entre outros tipos de refeições.

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL OVO – PORÇÃO: 1 UNIDADE (50G)
  Quantidade por porção % VD
Energia (kcal) 74 4
Carboidratos (g) 0,6 0
Proteínas (g) 6,3 8
Gorduras totais (g) 5 9
     Gorduras Saturadas (g) 1,7 7
Fibra Alimentar (g) 0 0
Sódio (mg) 63 3

Fonte: Philippi, 2018.

 

 

 

Referências bibliográficas:

 

Iannotti, L. L., Lutter, C. K., Stewart, C. P., Gallegos Riofrío, C. A., Malo, C., Reinhart, G., … Waters, W. F. (2017). Eggs in Early Complementary Feeding and Child Growth: A Randomized Controlled Trial. Pediatrics, 140(1)

Machado FMVF, Canniatti-Brazaca SG, Piedade SME – Avaliação da Disponibilidade de Ferro em Ovo, Cenoura e Couve e em suas Misturas. – Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 26(3): 610-618, jul.-set. 2006

PHILIPPI, Sonia Tucunduva. Tabela de composição de alimentos: suporte para decisão nutricional. – 6. ed. rev. e atual. – Barueri, SP: Manole, 2018.

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