Consumo de café e risco reduzido de desenvolver diabetes tipo 2

O consumo de café está inversamente associado ao risco de DM2 e tanto o café com cafeína como o café descafeinado têm efeitos metabólicos favoráveis.

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Já abordamos aqui no portal alguns estudos relacionados ao diabetes mellitus (DM), como os fatores de risco associados a doenças cardiovasculares em pacientes com DM  e a reversão da intolerância à glicose em adolescentes.

Hoje, trazemos um artigo da Nutrition Reviews, cujo objetivo foi investigar os efeitos do consumo de café no desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) ou na modulação de complicações adversas. Trata-se de revisão sistemática e meta análise, que discute os compostos bioativos do café, polimorfismos e potenciais mecanismos em relação ao DM2 e complicações adversas.

Foram incluídos no estudo, 29 artigos com dados de 30 coortes prospectivas (1 artigo apresentou resultados de 2 coortes) ou estudos caso-controle, com um total de 1.185,210 participantes e 53.018 casos de DM2. O critério de intervenção elegido foi a exposição ao consumo de café (incluindo café total, com cafeína, descafeinado, filtrado ou não filtrado).

Os resultados encontrados na pesquisa mostraram que o risco de diabetes tipo 2 diminuiu para cada xícara de café consumida por dia. Os resultados foram semelhantes para o consumo de café com cafeína e descafeinado, comparando a categoria de consumo mais alta versus a mais baixa, tanto o consumo de café com cafeína quanto o consumo de café descafeinado foram inversamente associados ao risco de desenvolver  diabetes tipo 2, na ordem de 7% e 6% por xícara ao dia de consumo de café.

Portanto, os resultados indicaram que o consumo de café está inversamente associado ao risco de DM2 e tanto o café com cafeína como o café descafeinado têm efeitos metabólicos favoráveis, embora a redução do risco foi um pouco maior com café com cafeína. Segundo os autores, os possíveis mecanismos por trás dessa associação incluem efeitos termogênicos, antioxidantes e anti-inflamatórios; modulação da sinalização do receptor de adenosina; e conteúdo e diversidade de microbiomas.

Além disso, diferentes compostos bioativos do café têm sido propostos em contribuir para os efeitos metabólicos favoráveis, incluindo cafeína, compostos fenólicos (por exemplo, ácido clorogênico, lignanas, trigonelina, N-metilpiridínio, minerais e vitaminas (por exemplo, magnésio, potássio, niacina), proteínas e diterpenos especiais (por exemplo, cafestol e kahweol), sendo que muitos desses compostos podem desempenhar um papel na regulação da insulina e da glicose e, assim, influenciar o desenvolvimento ou a progressão do DM 2.

É importante considerar que o café é uma mistura complexa de compostos químicos e sua composição varia de acordo com as espécies do café, o processo de torrefação (velocidade, tempo e temperatura) e o processo de moagem (relação água / café moído, tamanho da moagem de café, água temperatura, duração e métodos), sendo que a capacidade antioxidante máxima foi observada para café de torra média, ou seja, todos estes fatores podem influenciar nos resultados.

Nesse sentido, é importante que futuros ensaios clínicos de intervenção, randomizados e de longo prazo, sejam realizados para investigar melhor o potencial terapêutico do café em indivíduos com DM2 ou aqueles com um risco aumentado de desenvolver a doença.

De toda forma, o consumo do café faz parte da cultura dos brasileiros e apesar das diferenças alimentares regionais, está presente em praticamente todas as regiões do país. Consumido com moderação, o café pode fazer parte do hábito alimentar da população, indo além da simples ingestão de nutrientes, mas fazendo parte de momentos agradáveis e de socialização entre as pessoas. Tão importante quanto o que consumir, é resgatar o prazer dos alimentos!

 

 

Referências bibliográficas:

Carlström, M., & Larsson, S. C. Coffee consumption and reduced risk of developing type 2 diabetes: a systematic review with meta-analysis. Nutrition Reviews, 76(6), 395–417, 2018.

Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC) – Café. Brasília, 2005. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/publica_setec_cafe.pdf

 

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