Café da manhã: a composição importa?

Embora possam existir outras vantagens para os cafés da manhã baseados em alimentos com baixo IG / baixo CG, os achados do estudo evidenciam que as diferenças nas características nutricionais do café da manhã analisados são limitadas.

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Não é de hoje que se discute a importância do café da manhã na rotina alimentar das pessoas. Parte desse discurso, deve-se ao fato do longo período que a maior parte dos indivíduos passam em jejum no período noturno e que o consumo regular de café da manhã estaria associado a um melhor estado de saúde e a uma ingestão de alimentos mais saudável ao longo do dia. Mas, em tempos de diferentes abordagens e condutas nutricionais, é importante conhecer o que os estudos atuais vêm trazendo para o contexto da discussão.

Em um recente estudo publicado pelo The Journal of Nutrition investigou o efeito do café da manhã sobre variáveis metabólicas e comportamentais relacionados ao consumo alimentar. Trata-se de um ensaio clínico, randomizado, cruzado e controlado, baseado em quatro tipos diferentes de cafés da manhã isoenergéticos e uma refeição sem controle de energia.

Os cafés da manhã tinham perfis nutricionais similares, mas diferiam quanto ao índice glicêmico (IG), carga glicêmica (CG) ou conteúdo energético. Quinze homens normais saudáveis foram submetidos em cada grupo de intervenção, em ordem aleatória durante 4 semanas diferentes. No terceiro dia de cada semana de intervenção, variáveis ​​sanguíneas pós-prandiais (como insulina), avaliações da saciedade e ingestão de alimentos durante um almoço ad libitum consumido 4 horas após o café da manhã foram medidos.

As refeições eram compostas de alimentos que são comumente consumidos no café da manhã na Itália. O café da manhã controle (F-CTRL) era uma refeição sem energia consistindo de uma xícara de chá descafeinado, comparável a uma condição de jejum. Os 3 cafés da manhã experimentais incluíram uma xícara de leite semi-desnatado, uma maçã e 3 alimentos diferentes baseados em cereais, contendo chocolate. Os alimentos eram pão branco com cobertura de chocolate e avelã (BR-BREAD), muesli (cereal matinal à base de flocos de aveia e frutas secas) com gotas de chocolate amargo e nuts (BR-MUESLI) e arroz trufado com sabor de chocolate (BRRICE). Todos os participantes receberam a mesma quantidade de alimentos.

Os resultados apontaram após análise dos 3 cafés da manhã isoenergéticos ou o controle livre de energia, uma tendência semelhante para glicemia e insulina, com um pico aos 30 min e retornando para a linha de base em 90 min após o café da manhã. Diminuição das concentrações séricas de leptina após o consumo do café da manhã não foram diferentes para os tipos de cafés da manhã (P> 0,05) e permaneceu constantemente abaixo dos valores basais. A saciedade pós-prandial foi semelhante nos 3 cafés da manhã que contêm energia, mas maior quando comparada com o controle sem energia (P <0,001). Nenhuma diferença na ingestão de energia foi observada para o almoço ad libitum, enquanto o consumo prolongado de café da manhã foi compensado por um aumento (cerca de 10%) na ingestão média de energia durante o resto do dia, não resultando em diferença na ingestão diária total de energia entre as 4 condições. O consumo de café da manhã aumentou a saciedade e reduziu o apetite na fase inicial pós-prandial. No entanto, não foram detectadas diferenças na saciedade e no apetite entre os 3 cafés da manhã isoenergéticos, contrariando as expectativas dos autores de que características específicas do café da manhã (por exemplo, ingredientes, forma física, IG e CG) poderiam influenciar esses parâmetros de uma maneira específica.

Os autores concluem que embora possam existir outras vantagens para os cafés da manhã baseados em alimentos com baixo IG/baixa CG, os achados do estudo suportam a hipótese de que as diferenças nas características nutricionais do café da manhã são limitadas.

Portanto, é importante ter bastante cautela na prática clínica e avaliar muito bem os estudos que são conduzidos antes de aceitarmos verdades absolutas. Algumas ressalvas são importantes, como por exemplo, o número pequeno de participantes neste estudo, o que não permite extrapolar os dados. Sendo assim, é fundamental que outros estudos, com objetivos semelhantes sejam discutidos para a tomada de decisão.

Aguardem!

 

Referências bibliográficas:

Rosi, A. Martini, D.; Scazzina, F.; Dall’Aglio, E.; Leonardi, R.; Monti, L.; Fasano, F.; Di Dio, C.; Riggio, L.; Brighenti, F. Nature and Cognitive Perception of 4 Different Breakfast Meals Influence Satiety-Related Sensations and Postprandial Metabolic Responses but Have Little Effect on Food Choices and Intake Later in the Day in a Randomized Crossover Trial in Healthy Men. The Journal of Nutrition, nxy160, September 2018.

 

 

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