Alimentos regionais no centro-oeste: quando as características geográficas influenciam na alimentação.

A região centro-oeste é marcada por origens imigratórias e características geográficas que somadas, influenciaram a alimentação regional.

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Dando continuidade à discussão sobre os alimentos regionais brasileiros, hoje é dia de falar da região centro-oeste!

E o que será que os estados de Goiás, Mato Grosso e mato Grosso do Sul têm de características alimentares específicas?

Bom, primeiramente, é interessante relembrar que essa região teve um processo de colonização diferente das demais regiões do país. Os fluxos populacionais e imigratórios se originaram, em suas maiorias, de outras partes do próprio Brasil, refletindo assim, na culinária local.

Particularidades específicas podem ser observadas entre os estados: em goiás, historicamente, os hábitos alimentares tradicionais ocorreram devido a fusão das culinárias indígena, africana e portuguesa, ainda nos séculos XVIII e XIX, adaptados a disponibilidade de alimentos típicos do cerrado; mais recentemente, é possível perceber influência das culinárias mineira e paulista, além dos hábitos alimentares tradicionais. Já no Mato Grosso do Sul, a influência paulista também se faz presente.

Além disso, as características geográficas também influenciam no hábito alimentar: a região centro-oeste é banhada por duas bacias hidrográficas (Amazônia e do Prata), o que favorece o consumo na região de produtos da pesca, tais como os peixes pacu, piranha, dourado, pintado, e da caça, como anta, cotia, paca, capivara, veado e jacaré.

Alguns dos principais práticos típicos da região centro-oeste são: arroz com pequi, o tutu com linguiça, a guariroba, a mojica, pacu assado, peixe na telha, peixe com banana, carne com banana, costelinha, bolinhos de arroz, pamonha, feijão tropeiro, carne seca, toucinho, sopa paraguaia e caldo de piranha.

Cabe destacar que o pequi, um dos alimentos mais característicos dessa região, possui como constituintes predominantes, os lipídios, com destaque para os ácidos graxos oléico e palmítico, tanto na polpa quanto na amêndoa; além disso, na polpa, existe um alto teor de fibra alimentar e compostos fenólicos e carotenoides totais, associados à prevenção de estresse oxidativo.

É sempre válido lembrar que as características e o hábito alimentar da população brasileira, não apenas na região abordada, passou por diferentes transformações nas últimas décadas, portanto, a alimentação na região centro-oeste não se restringe apenas a estes pratos típicos.

No entanto, para quem mora ou, principalmente, para quem está viajando por esta região, vale a pena procurar bons restaurantes que oferecem os pratos típicos e aproveitar para experimentar novos sabores e aromas dessa culinária tão rica.

E por falar nisso, em breve, falaremos justamente sobre essa experiência: o consumidor aventureiro! Aguardem!

 

Referências bibliográficas:

 

Botelho, A. Geografia dos sabores: Ensaio sobre a dinâmica da cozinha brasileira. Sabores do Brasil. Textos do Brasil . Nº 13.

Kuwae, C. A.; Monego, E. T.; Fernandes, J. A. (Trans)Formações de Hábitos Alimentares dos Goianos.

SONATI, J. G.; VILARTA, Roberto; SILVA, Cleiliane de Cassia; “Influências Culinárias e Diversidade Cultural da Identidade Brasileira: Imigração, Regionalização e suas Comidas – In Qualidade de Vida e Cultura Alimentar. – Orgs. MENDES, Roberto Teixeira; VILARTA, Roberto; GUTIERREZ, Gustavo Luis.”, “Qualidade de Vida e Cultura Alimentar. – Orgs. MENDES, Roberto Teixeira; VILARTA, Roberto; GUTIERREZ, Gustavo Luis.”, 11/2009, ed. 1, IPES EDITORA, Vol. 1, pp. 11, pp.137-147, 2009.

Lima, A. de.; Oliveira e Silva, A. M. de.; Trindade, R. A.; Torres, R. P.; Mancini-Filho, J. Composição química e compostos bioativos presentes na polpa e na amêndoa do pequi (Caryocar brasiliense, Camb.). Rev. Bras. Frutic. vol.29 no.3 Jaboticabal  2007.

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